Quarta-feira, 15 de Abril de 2026
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Igualdade entre homens e mulheres

Apesar de a igualdade entre homens e mulheres estar consagrada na Constituição da República, a realidade que se constata no mundo do trabalho demonstra que entre o princípio jurídico e a vida concreta existe ainda um caminho longo a percorrer.

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Em Portugal, as mulheres continuam, em média, a ganhar menos do que os homens, concentrando-se em setores menos valorizados e mais precários. Nos setores da agricultura e da indústria alimentar, onde a exigência e o esforço são elevados, esta desigualdade assume contornos particularmente injustos. A desvalorização salarial, a instabilidade contratual e as dificuldades de progressão atingem de forma desproporcionada as trabalhadoras, principalmente se forem mães.

Mas a desigualdade não acaba quando termina o turno. Muitas mulheres saem do trabalho pago para entrar noutra jornada invisível, feita de cuidados e tarefas domésticas. Esse trabalho também é trabalho — essencial à sociedade — mas continua, na maioria dos casos, sem reconhecimento nem remuneração.

Persistem bloqueios estruturais à presença feminina em cargos de decisão e uma repartição desigual das responsabilidades familiares, que continuam a recair sobretudo sobre as mulheres. Não se trata de um problema pontual, mas cultural, social e económico, que exige resposta coletiva, tanto nas escolas, como nos fóruns de legislação.

O SINTAB tem denunciado discriminações ligadas à maternidade, tentativas de afastamento após gravidez, pressões para rescisões e diferenças salariais injustificadas. A igualdade tem de traduzir-se em salários iguais para trabalho igual ou de igual valor, proteção efetiva da parentalidade, horários compatíveis com a vida familiar e acesso real à progressão profissional, bem como aos cargos de decisão.

O reforço da contratação coletiva é essencial para combater a desigualdade, valorizar carreiras e garantir transparência salarial. A valorização geral dos salários é também condição indispensável para reduzir o fosso entre homens e mulheres.

Reconhecer que a desigualdade persiste é o primeiro passo. O seguinte é não aceitar que continue a ser tratada como inevitável.

A igualdade não pode ficar no papel nem nos discursos de ocasião. Tem de sentir-se no salário ao fim do mês, no respeito no trabalho e no direito a viver sem sobrecarga nem injustiça. Enquanto houver mulheres a ganhar menos, a somar jornadas entre emprego e casa e a ter menos oportunidades, a luta estará longe de concluída.

Sem igualdade no trabalho não há justiça social. E sem justiça social não há democracia plena. Esta não é uma causa das mulheres, mas de todos os trabalhadores. E é uma luta que não podemos adiar.

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