Domingo, 26 de Setembro de 2021
Levi Leandro
Engenheiro. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Chamem a ASAE…

Nos momentos mais impactantes que ocorreram na nossa autarquia em 2020, não abordei, por questão de espaço, o Barro Preto de Bisalhães (BPB).

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Pedro Marques Lopes em janeiro/2021, afirmou no programa “Eixo do Mal”, numa alusão a um político socialista, que não devia desmentir um mentiroso. Estou de acordo, pois considero mais relevante tentar contrariar a seguinte frase de Mark Twain: “É mais fácil enganar as pessoas do que mostrar-lhes que foram enganadas”.

Será que a autarquia fez tanto e tão bem por Bisalhães como propagandeiam? Vejamos.

Não conseguiram em quatro anos, promover uma ação de formação para novos oleiros, determinante e essencial para a manutenção da atividade, nem prepararam nenhum processo de certificação, mas arrogam-se no direito de “certificar um oleiro”, que é funcionário da autarquia.

Dizer à Unesco no relatório do Plano de Salvaguarda enviado fora de prazo, que vai investir 45 mil euros em betuminoso em Bisalhães no início de 2021 é abusivo e oportunista, pois o que está em causa é o que foi feito e não o que irá fazer. Mencionar que gastaram em 2016/17, na ponte da Ribeira dos Machados, 155 mil euros, revela, no mínimo, falta de seriedade e desonestidade intelectual. Como pode indexar este investimento a Bisalhães? Se a ponte serve as freguesias da cidade, Parada de Cunhos, Lordelo, Mondrões e Vila Marim.

Declarar que compraram entre 2017 e 2019, 8 867,18€ de louça preta de Bisalhães quando assessores autárquicos, afirmam que os oleiros não passam faturas, coloca-se a pertinente questão, a quem compraram e onde estão as faturas?

Mencionar no relatório de plano de salvaguarda (2016-2020), numa rotunda, um investimento de 19464,85 euros, levado a cabo em 2015/05/01, como tributo aos oleiros, além de abusivo, revela, mais uma vez, falta de honestidade intelectual.

Como se promove no país e no estrangeiro, o BPB sem os seus oleiros? Através de pessoas que não são oleiros e que a autarquia financia. Na feira de Frankfurt (fev./17) com o pretexto de divulgar, e cito “a louça de Bisalhães”, lá foram os mestres da contrafação, em conluio e financiados pela autarquia por proposta da vereadora da cultura, de forma bizarra “valorizar Bisalhães”. Afinal parece que vale tudo na vida e na política. (ver ata 6/2/17 de reunião de CMVR).

Jorge Ramalho, oleiro reconhecido pela Unesco, a quem a autarquia atribuiu a medalha de mérito municipal grau prata, o único que faz da olaria negra a sua atividade profissional, cedeu-me esta fotografia tirada em julho de 2020, no posto de turismo de Vila Real. É assim que o Turismo do Norte defende o Património Cultural e Imaterial de Bisalhães? 

Mas o “Oleiro de Prata”, que é presentemente o melhor oleiro do mundo de barro negro de Bisalhães, vai mais longe e diz que a partir de 2017 inclusive, os troféus oferecidos pela autarquia a vários artistas musicais nacionais, que atuaram nas festas da cidade são contrafeitos, bem como os que o líder da autarquia ofereceu entre outros pilotos, a Tiago Monteiro e Miguel Oliveira. É assim que se valoriza Bisalhães?

Custa perceber que pessoas como Clara Bertrand Cabral, segunda figura da Comissão Nacional da Unesco, António da Ponte, diretor da Direção Regional da Cultura do Norte e João Carlos dos Santos da Direção Geral do Património Cultural, que têm como função defender o Património, parecem quererem pactuar e legitimar a contrafação do Barro Preto de Bisalhães, nada que não nos surpreenda, pela forma como a Administração Pública foi capturada, através do nepotismo socialista e consequente amiguismo.

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