Alto TâmegaConsoada entre a lareira e a fogueira de Natal

Consoada entre a lareira e a fogueira de Natal

A quadra passada na aldeia tem, para muitos, outro sabor. Juntar a família, cozinhar os pratos tradicionais e reunirem-se à volta do madeiro, são coisas que Ana Maria Pinto não dispensa. Na consoada vai receber os filhos, irmãos e restantes familiares, como acontece com a maioria das pessoas em Loivos.

“Vêm muitos de fora para passar aqui o Natal”, conta. Mesmo morando no estrangeiro há quem faça questão de regressar nestes dias. “Para mim, Natal é família, é o mais importante, e vivemos esses momentos felizes”. Destaca ainda o ambiente da aldeia “que fica muito bonita com a iluminação”, que estava a ser colocada no dia em que a visitámos. Dona de um café, é costume abri-lo após a consoada, em que não pode faltar o polvo. Acaba por ser um ponto de encontro de várias pessoas, antes de se dirigirem ao largo para aproveitar a fogueira de Natal.

Ana Maria não vê muitas diferenças em relação às comemorações de outros tempos, mas o mesmo não dizem José Lage e Maria Adão. Com um pouco mais de idade, o casal recorda com alguma nostalgia o Natal de quando eram novos, ou os filhos eram pequenos, e dizem que “é muito diferente. Antes havia mais convívio e unidade, agora as pessoas ficam em casa e, se saírem, é para os cafés”. O largo da localidade com canhoto era o local de encontro, onde estavam com a família e vizinhos após a ceia. “Íamos a casa buscar vinho e qualquer coisa para comer”, e naquela altura não eram as prendas o mais importante na noite de Natal. “Hoje já não se vê tanto, as tradições estão a acabar”, afirma José. Quem ficava encarregue da fogueira de Natal eram os jovens rapazes. “Juntávamo-nos 10 ou 12 e íamos buscar lenha ou roubá-la. Houve um ano que o presidente da junta nos queria mandar prender”, recorda. Selecionavam raízes e canhotos de castanheiro e pinheiro “e houve uma vez que comprámos mesmo um sobreiro, foi há quase 60 anos, custou 50 escudos”.

Ultimamente é a junta de freguesia que manda acender a fogueira e José acredita que, por isso, a juventude já “não liga a isso”, pois não está envolvida no processo.

A família, filhos e netos, está emigrada e nem sempre vem passar as festas a Loivos, é o que acontece este ano, em que vão receber apenas o irmão de Maria, vindo de Lisboa. “Vamos estar à lareira, o vizinho ainda nos convidou para ir lá a casa, mas vamos ver”. As decorações de Natal não saíram dos caixotes, já que era uma missão dos mais novos enfeitar a casa, mas na mesa de consoada não vão faltar os pastéis de bacalhau, as rabanadas, outros doces tradicionais e, em especial, o bacalhau e o polvo. “Naquele dia tem de ser, e acompanhados por couves pencas”, como a que foram naquele dia buscar à horta, com uma dimensão considerável, que cultivam a pensar especialmente no Natal.


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