Sábado, 3 de Dezembro de 2022
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Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Da fome e da guerra

Cerca de 45 milhões de pessoas estão a morrer de fome

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“Da fome e da guerra, livrai-nos Senhor”. Foi uma frase que ouvimos muitas vezes, na nossa infância, em finais da 2ª Grande Guerra Mundial. Porquê voltar ao tema agora, quando felizmente, nas nossas aldeias, sobretudo no interior do país, a vivência comunitária não permite, ou pelo menos atenua, este flagelo?

Vale a pena lembrar alguns números. Segundo o Programa Alimentar Mundial da ONU, 828 milhões de pessoas – mais de um décimo da Humanidade – vai dormir cada noite com fome. Cerca de 45 milhões, segundo a mesma Organização, estão a morrer de fome, ou seja, a fome está a destruir uma parte do mundo.

Segundo um estudo recente, divulgado pela imprensa, há três razões que agravam esta regra de fome: a crise climática, as guerras e a desigualdade na organização alimentar. No que se refere às guerras, tem relevância a guerra na Ucrânia, que está a afetar já os países de toda a Europa e África.

Antes, a Rússia e a Ucrânia eram responsáveis por 28% da exportação mundial de trigo (Rússia o primeiro exportador mundial e a Ucrânia, o quinto), mas também de cevada , 29%, 15% de milho e 75% de óleo de girassol.

Recentemente lemos um artigo sobre “A Fome Vermelha”, onde se descreve a Guerra de Estaline contra a Ucrânia, no início da primavera de 1932, onde os camponeses da Ucrânia estavam a morrer à fome, como resultado da desastrosa decisão da União Soviética de forçar os camponeses a aderir às quintas coletivas. O resultado foi uma catástrofe. Pelo menos cinco milhões de pessoas morreram à fome entre 1931 e 1934, dos quais 3,4 milhões de ucranianos.

O que se passou com a política de Estaline, relativamente à Ucrânia, permite-nos enquadrar melhor este comportamento do governo de Vladimir Putin, relativamente à população ucraniana, que tem estado a ser sistematicamente bombardeada desde fevereiro.

Será que está a tentar reescrever a história para ser recordado como um novo Estaline?
É que as consequências desta intervenção no seu vizinho do Sul está a atingir sobretudo as pessoas de menores recursos em países de África e do sul da Ásia. A Comunidade Internacional deve prepara-se, se não o estiver a fazer já, para as consequências do aumento dos preços dos cereais, que são a base alimentar de milhões de pessoas. Por isso, mal se percebe que a ONU não seja mais interventiva, no sentido de colocar um travão a esta agressão que está a afetar todos os bens alimentares, com consequências já muito visíveis nas famílias de menores rendimentos.

É caso para lembrar a súplica de outrora: “da fome …. livrai-nos Senhor”.

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