Terça-feira, 28 de Setembro de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Desfigurar Chaves

Chaves sempre foi uma cidade comercial, com um valoroso património, sendo naturalmente essas duas caraterísticas um ativo importantíssimo para a dinamização económica, turística e cultural do concelho e da região

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Nos últimos anos, a política seguida em Chaves tem sido completamente catastrófica para o comércio, numa azáfama do atual executivo por esvaziar o centro histórico flaviense. Para além de ter perdido mais de 50% dos lugares de estacionamento, o comércio local viu, sem qualquer explicação, a não ser a vontade daquele que se diz suprassumo do saber, serem cortadas vias de acesso, que tornam cada vez mais difícil, chegar ao centro da cidade quem vive na periferia.

Como se isto não bastasse, numa zona verde da cidade, onde um parque de lazer daria enquadramento, beleza e até estacionamento para valorizar o centro histórico flaviense, foi autorizada a construção, sem licença, desautorizando o próprio vereador Victor Santos, de um mamarracho que envergonha o mais ignorante curioso por planeamento urbanístico.  

Houve inclusivamente a necessidade de demolição de casas, onde viviam idosos e pessoas com problemas de saúde, que ao procurar a ajuda do presidente foram desprezados e ignorados. 

Perceba-se claramente que o problema não está na superfície comercial em si, mas sim na sua deslocação para a zona em causa e na gestão que o edil teve no processo, sendo que a ausência de licença, a existir, é um enorme atropelo à lei.

Sr. Presidente, o cargo para que os flavienses o elegeram exige honestidade e transparência, portanto, apresente a licença onde claramente, e de forma inequívoca, se veja a data em que foi passada.

Para ajudar a este esvaziamento, e utilizando como desculpa a pandemia, até o festival N2 foi retirado do local que deveria ser intocável, a Madalena, descaraterizando o mesmo e isolando ainda mais uma freguesia que não parece contar para este executivo. 

Quanto ao património, a linha do descalabro continua. O Museu das Termas, a tal obra que tinha de estar concluída até fevereiro de 2019, continua fechada. O cineteatro foi destruído sem qualquer explicação plausível, a não ser o sonho sensorial do senhor presidente que ainda ninguém percebeu o que dali surgirá. A ponte romana continua com o processo de elevação a património mundial desaparecido, a rotunda da Nacional 2 continua sem qualquer projeto consistente por parte do município.

O que vale é que estamos em agosto, e como temos memória, este será o mês, em que, como o senhor presidente prometeu, se iniciará a obra do Aquae Salutem, e todos sabemos que ele é bom a cumprir promessas. Tic, Tac, Tic, Tac…

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