Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026
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Em Estado banal

Não se trata de estar com mais atenção. Não se trata ainda de fazer a apologia do “pobre e do oprimido”. Nada disso. Trata-se da realidade que invade os espaços, a nossa casa e nos toca, ainda que lhe queiramos virar as costas.

Pela televisão ou pela internet somos consumidos por “pacotes” temáticos noticiados em catadupa como se, coincidentemente, tivessem hora marcada para acontecer ao mesmo tempo…muitas das vezes, admito, porque simplesmente acontecem em catadupa, outras das vezes porque não há nada para dizer, mas algo tem de ser dito.

Mais recentemente têm vindo a público os tais “pacotes” de notícias relacionadas com a violência física contra os elementos das forças de segurança, com direito a vídeo em alta definição. Trata-se de uma realidade cobardemente escondida, a qual apenas surge por força do efeito de contágio que as redes sociais têm para logo, eventualmente, ser esquecida.
Não esqueçamos porém que tais episódios nos transportam para dimensões nunca antes vividas, pelo menos em democracia e em contexto de paz. Pouco ou nada poderá ser dito. Muito porém seria de dizer em reflexão, ainda que pouco profunda, de uma realidade inolvidável: um polícia não é só um cidadão. É um guardião dos valores que suportam os alicerces de um Estado. Agredi-los, é corroer estupidamente a casa que habitamos, fragilizando-a, contribuindo paulatinamente para colocar em perigo as pessoas que nos são mais próximas e queridas.

O problema de fundo é que este assunto tende a ser discutido a uma só voz: a do agressor. O polícia, porque é agredido, não pode retaliar, ainda que em desigualdade. Deve deixar correr os trâmites normais do processo… Ser-se agredido, sem sorrir para as câmaras deixando que estas se movimentem ao seu redor.

Ainda que tais situações assumam contornos de conhecimento público e de revolta natural, assim o espero, as forças de segurança, enquanto tais, não podem mudar o seu comportamento estratégico, dito de “normal”, face às circunstâncias em que operam, como aliás lhes é recomendado. Mais fácil, mas Intolerável, seria virar as costas a situações de potencial perigosidade. No caso concreto, seria desonesto face ao juramento prestado, péssimo para a sociedade e um elixir para fomentar o comportamento cobarde de quem, para além de não respeitar a “pessoa”, não respeita ainda o próprio Estado. 

Ainda que as forças de segurança possam ser caraterizadas por deterem uma cultura própria, corporativa, particularmente unida nos momentos menos bons, valha-nos, assim presumo, que a voz que não se ouve nem se pode fazer ouvir apele, em silêncio, para que as funções de proteção de pessoas e bens continuem a ser levadas a efeito, com maior ou menor risco, ainda que os polícias saibam que uma ocorrência do género daquelas que têm sido reveladas, poderá ficar, como presumivelmente terá de ser, sem direito de resposta. 
Ironicamente, a única forma de manter a sociedade coesa é a de aceitar de forma pacífica a ofensa, deixando o sistema atuar. Um exemplo de atuação que apenas as forças de segurança seguem em prol da proteção de um bem mais importante.

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