Sexta-feira, 10 de Julho de 2026

Equipa de extração sempre preparada para o pior cenário

Se os motores se calam após um acidente e todas as atenções se voltam para o local do incidente, dependendo do cenário, poderá entrar em ação uma das estruturas mais discretas, mas também mais importantes presentes no Circuito Internacional de Vila Real.

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Falamos da equipa médica de extração. São homens e mulheres que treinam durante todo o ano para situações que esperam nunca encontrar, preparados para intervir em segundos quando a segurança dos pilotos está em causa.

A presença destas equipas é obrigatória em algumas das competições internacionais da FIA, como TCR World Tour, mas a sua história em Vila Real remonta ao período em que a cidade voltou a receber provas internacionais. Segundo André Luís, médico-chefe da prova, a criação da estrutura esteve ligada ao crescimento da dimensão competitiva dos eventos realizados em Vila Real e, também, em Montalegre, onde o Clube Automóvel de Vila Real organiza provas de ralicross.

“Quando surgiram os campeonatos do mundo na sua esfera, o Clube Automóvel de Vila Real promoveu a formação desta equipa de extração, que passou a ser obrigatória para determinadas competições internacionais”, explica o profissional de saúde.

O trabalho desenvolvido vai muito além da simples assistência médica. A missão principal destas equipas consiste na remoção segura de pilotos acidentados, sobretudo quando existe suspeita de lesões traumáticas. “As equipas de extração dedicam-se a retirar pilotos do interior das viaturas quando há suspeita de fraturas ou outras lesões, tentando fazê-lo com a maior imobilização possível para evitar agravar qualquer problema”, refere André Luís.

Em situações mais graves, como incêndios ou pilotos inconscientes, entra em ação o protocolo de extração de emergência. “Treinamos também para situações em que o carro está a arder ou o piloto está inconsciente. Nesses casos, temos de remover a vítima o mais rapidamente possível, mantendo ainda assim uma estabilização mínima aceitável”, realça.

Preparação intensa

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, estas equipas não têm como principal função cortar viaturas. “Não somos equipas de corte. O nosso objetivo é retirar os pilotos sem cortar os carros, sempre que possível. A nossa prioridade é a segurança do ocupante”, sublinha o médico.

A preparação é intensa e permanente. A equipa aproveita as provas ao longo da temporada para treinar e participa regularmente em ações internacionais de certificação promovidas por entidades ligadas à FIA. “Se queremos fazer bem este trabalho, temos de treinar muito. Aproveitamos todas as provas para treinar e temos também um plano anual de formação. Além disso, participamos regularmente em certificações internacionais, onde trabalhamos lado a lado com equipas de outros países”, refere.

Para isso, a equipa já participou em formações dadas pela federação francesa de automobilismo, tanto no Circuito de Le Mans, como, mais recentemente, em Paul Ricard.

A estrutura é composta por médicos e elementos com experiência em emergência pré-hospitalar, incluindo bombeiros e profissionais habituados a atuar em cenários complexos.

Rapidez e segurança

Nas corridas modernas, o desafio mudou. Os carros são hoje muito mais seguros, graças às estruturas de proteção e aos avanços tecnológicos introduzidos ao longo dos anos. “É relativamente raro encontrarmos grandes deformações do habitáculo. Muitas vezes, as lesões resultam mais das desacelerações violentas do que propriamente da deformação do carro”, explica.

Mesmo assim, um circuito citadino como Vila Real continua a apresentar desafios muito específicos. “O grande desafio aqui é a ausência de escapatórias. O potencial acidente existe e temos de estar preparados para tudo. Mas, quando somos chamados, fazemos aquilo para que treinámos, que é chegar rapidamente ao local, avaliar a situação e retirar o piloto em segurança”.

A rapidez é uma das características mais impressionantes destas equipas. Numa situação considerada normal, uma extração pode demorar cerca de três minutos. Já numa emergência, os tempos são muito mais reduzidos.

De acordo com o médico André Luís, “a FIA estabelece como referência 30 segundos para uma extração de emergência. A nossa mais rápida foi feita em 14 segundos. É muito pouco tempo, mas é para isso que treinamos”.

O profissional recorda-nos que, o seu objetivo é o estado da vítima, mas ao mesmo tempo, não se esquecem que há uma corrida que tem de continuar.

Com cerca de três dezenas de elementos envolvidos na operação médica do circuito, em articulação com bombeiros, proteção civil, INEM e hospitais de referência, a equipa de extração representa uma das peças fundamentais do complexo dispositivo de segurança do Circuito Internacional de Vila Real.

Uma presença que passa muitas vezes despercebida ao público, mas que trabalha permanentemente para garantir que, mesmo nas situações mais extremas, a corrida possa continuar, enquanto os pilotos regressam a casa em segurança.

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