Quinta-feira, 15 de Abril de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Finalmente!

Ficámos agradavelmente surpreendidos, com a notícia do Nosso Jornal de há duas semanas, em que se titulava: Autarquia plantou quatro mil árvores na Campeã.

E sublinhou: Iniciativa decorreu no âmbito do Projeto Floresta Comum que prevê a plantação de um milhão de árvores nos espaços florestais do concelho.

Para quem, como nós, vem clamando continuamente para a necessidade de proceder ao povoamento florestal de todo o interior norte, esta notícia enche-nos de alegria e obriga-nos a saudar a iniciativa. É muito louvável e desejamos que seja o início de uma nova política para o nosso território, que tanto carece de que se comece a inverter o resultado do “crime” cometido com o desaparecimento dos Serviços Florestais. 

Conhecemos suficientemente bem alguns dos elementos do executivo municipal e sabemos que têm, tanto quanto nós, uma particular sensibilidade para esta questão ambiental da floresta, que será sempre uma mais valia para estas nossas terras abandonadas – em particular os Baldios, que estão completamente ao abandono, pelo menos de há mais de trinta anos a esta parte.

Permita-se-nos, porém, mais esta nota. Um Plano de reflorestação para todo este Interior Norte, não se pode limitar a atitudes desgarradas, por mais úteis e simpáticas, como foi esta agora da nossa autarquia, na Campeã.

Há que aproveitar este balanço, do nosso Ministro do Ambiente, Eng. Matos Fernandes. Ele conhece bem a problemática e já, na semana passada, destacou no Parlamento, na apresentação do Plano Nacional de Gestão de Fogos Florestais, as grandes orientações estratégicas deste plano para a valorização dos espaços rurais, num país com seis milhões de hectares de florestas, matos e pastagens, acrescentando: a nossa ambição passa pela reconversão de 20% da nossa paisagem rural. Concretizou, afirmando que a ideia é reconverter 1,2 milhões de hectares, um quinto da área ocupada por espaços florestais, com um  horizonte temporal de uma década.  O Plano prevê uma despesa total superior a seis mil milhões de euros.

Finalmente, parece haver quem assuma, de uma vez por todas, a necessidade de requalificar o território rural, que está ao abandono, desde que os Serviços Florestais (repetimos) foram extintos.

Daqui, incitamos os nossos autarcas e mais concretamente a nossa autarquia, a CIM Douro e as restantes CIM(s) de Trás-os-Montes e Alto Douro, para que, em conjunto com a nossa Universidade – a UTAD é fundamental na elaboração dos projetos, porque tem capacidade instalada, e com as populações, aproveitarmos este «élan» governativo, para mudar a paisagem desoladora que apresentam os nossos baldios.

O que apareceu noticiado sobre a Campeã é um bom começo. Só há que o multiplicar.

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