Domingo, 24 de Outubro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Heroísmo, vergonha, pânico e corrupção

Escrevo este observatório quinzenal, em cinco andamentos.

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Por cada herói surgem três esbirros que podem traduzir-se por uma sondagem sociológica, em tempo de pandemia.

Primeiro tempo: à hora em que redijo, nas margens do rio Tejo, um cidadão, de 65 anos cai e por algum tempo fica a boiar. Um pai de 37 anos, natural de Cabo Verde, que levava pela mão um filho de 7, 8 anos, diz ao filho: – fica aqui com a minha roupa que eu vou salvar aquele senhor.

Saltou, correu até ao náufrago, arrastou-o para a margem e, com um segundo salvador, recuperam o acidentado cidadão.

 Logo depois, o canal CM mostrou todo esse acidente e entrevista o pai e o filho.

-Você foi um herói.

– Fiz aquilo que devia fazer…

 Questionado, o filho respondeu:  – o meu Pai foi muito corajoso…

Segundo: Seixas da Costa, na «opinião» do dia 9, que assina no JN, na 2ª página, desenvolveu o binómio: «Vergonha e pânico».

– «Sinto vergonha ao constatar» no caso de Tancos. «Já havia sentido vergonha – vergonha maior, porque estava (eu) no Governo – ao constatar que uma querela envolvendo governantes, deputados e jornalistas, tinha fragilizado fortemente os serviços de informação…»

Terceiro: um «botão de pânico» …se tivesse existido no tempo do assassinato do cidadão ucraniano, seria por este «facilmente» utilizável…»

Quarto: «sinto hoje vergonha, – insiste o ex-embaixador Seixas da Costa – quando constato a complacência objetiva, perante atos de racismo e de violência que, ciclicamente, teimam em manchar a imagem da nossa política, transformando uma esquadra que deve ser um espaço de segurança, num local perigoso para a integridade de alguns – quer se trate de bandidos ou de meros suspeitos».

Quinto: José Sócrates, que teve a seus pés toda a comunicação do país, enquanto foi primeiro ministro e que (até) teve uma refeição pública com o Procurador Geral da República do seu tempo, antes de ser preso, continua na sua fresca ribeira, com todos os privilégios, como se nada fosse com ele, continua a ter as portas abertas dos jornais. No JN de 11 do corrente mês, teve meia página desse órgão para agrilhoar alguns políticos da oposição ao seu governo que comentaram os vários desaires das PPP. Pôde mencionar uma boa dúzia deles e afirmar que «o processo é agora público. Dez anos depois, pergunto-me se o jornalismo português, que durante tanto tempo foi enganado com a história da corrupção, tem agora alguma razão para que, no que diz respeito à gestão danosa, não estará, de novo, a acontecer o mesmo». 

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