Quinta-feira, 19 de Maio de 2022

Impacto do conflito na Ucrânia no setor agroalimentar

Perante o contexto de guerra na Ucrânia, a dependência de produtos como o trigo, o óleo de girassol ou o milho, importados tanto do território russo como ucraniano preocupa a comunidade internacional.

Nos últimos anos, assistiu-se ao aumento da dependência mundial da produção agroalimentar russa e ucraniana. Em 2020, estes dois países em conjunto eram responsáveis por mais de metade das exportações mundiais de óleo de girassol, 27% das exportações mundiais de trigo (50% do trigo ucraniano é cultivado no leste do país, onde Moscovo concentrou grande parte dos seus ataques) e 14% das exportações mundiais de milho. A Rússia produz ainda 30% do nitrogênio (azoto) e do potássio consumidos pelo mercado mundial de fertilizantes.

O conflito entre a Rússia e a Ucrânia teve um enorme impacto no preço dos produtos agroalimentares nos mercados internacionais. Durante o mês de março deste ano, o índice de preços dos óleos vegetais cresceu cerca de 51% face à média anual de 2021 e +23% que fevereiro. No caso dos cereais, os preços subiram 30% face à média de 2021 e +17% comparativamente com fevereiro.

Entre os países mais dependentes das importações russas e ucranianas estão a Turquia (25% do total das importações de produtos agroalimentares), a China (23%), o Egipto (23%) ou a Índia (12%). Analisando apenas a dependência de trigo, Benim e a Somália são dependentes a 100% as importações destes mercados, e o Egito depende a 80%, país com cerca de 102 milhões de habitantes.

Perante estes números, a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que a guerra na Ucrânia possa colocar entre 7,6 milhões (cenário moderado) e 13,1 milhões de pessoas (cenário extremo) em situação de subnutrição. As regiões mais afetadas serão a Ásia-Pacífico, a África Subsariana, o Médio Oriente e Norte de África e a América Latina e Caraíbas.

Os efeitos desta guerra ultrapassam claramente as fronteiras destes dois territórios, com inúmeras repercussões políticas, militares, económicas, alimentares e até de saúde pública. Nenhum cidadão está imune a este conflito, que extravasa em muito os 600 mil km2 do território ucraniano. Cabe agora aos governos, sociedades e economias tentarem antecipar estes efeitos e serem mais eficazes na sua mitigação

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