Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2022
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

In memoriam do Isildo Sequeira

No passado dia 9 do corrente mês, recebi a triste noticia do falecimento inesperado do Isildo Sequeira, meu velho amigo e companheiro da juventude.

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Devido às circunstâncias da vida, eram raros, atualmente, os nossos contactos, mas, nem por isso, a nossa velha amizade foi alguma vez posta em causa, porque ela fora forjada na simplicidade, solidariedade e lealdade, que imperavam nas relações humanas de outros tempos.

Cedo começou a fazer-se à vida, iniciando a sua carreira profissional como aprendiz de mecânico nas oficinas do Pôncio Alves Janeiro & Irmão, na Régua. Mais tarde, ingressou nos quadros da antiga Junta Autónoma das Estradas, em Lisboa, onde o vim a encontrar, nos idos de 1970/71, por ocasião do cumprimento do meu serviço militar obrigatório. Encontrávamo-nos, normalmente, aos fins de semana — num pequeno restaurante, em Belém, ao lado do Mosteiro dos Jerónimos, próximo do local onde foram supliciados os Távoras — na companhia de outro amigo, de ambos, o Zé Rebelo, nosso vizinho de Fontelo, que nessa época trabalhava na secretaria-geral do Ministério da Indústria e Economia e se juntava a nós para depois, os três, deambularmos pela cidade numa itinerância sem rumo pré-definido.

Unia-nos uma grande amizade, também ela, reflexo das relações fraternais que sempre existiram entre as nossas mães. A senhora Maria do Sequeira, mãe dele, e a minha mãe, Odete. Depois da sua estada em Lisboa, com o serviço militar cumprido, em Angola, rumou a Vila Real, à nossa “Bila”, para dar um novo rumo à sua vida, dedicando-se ao ensino da condução automóvel, tendo sido um empresário de sucesso ao adquirir, mais tarde, parte da Escola de Condução Auto Marão.

Na nossa adolescência, participámos em inúmeras aventuras e tropelias, com a sua mítica motorizada, sempre à mão, que nos transportava, aos dois, para todo o lado, indiferentes às regras regulamentares estabelecidas pelo código da estrada que, naquele tempo, só permitia o transporte do condutor do motociclo, isoladamente. Foram tempos de grandes desafios, vividos com grande intensidade, amenizados, de vez em quando, com uns almoços ou jantares, reconfortantes, em sua casa, confecionados pela senhora sua mãe, umas vezes, outras em Fontelo, em casa da irmã Lurdes, infelizmente já falecida.

Socialmente responsável, exteriorizava, não raras vezes, um humor inteligente, carregado de ironia. Avesso a confusões, nunca se envolveu em cenas conflituosas. Onde quer que estejas meu amigo Isildo, espero que fiques em paz contigo próprio. Havemos de nos reencontrar um dia nesse lugar etéreo do Além.

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