Esta semana tocou-nos a nós, aqui no concelho de Vila Real, com maior incidência na Serra do Alvão. As chamas colocaram em perigo todas as povoações por onde foram passando. Desceram até ao rio Corgo, subindo depois numa cavalgada medonha até ao S. Bento, Serra da Samardã e até a Justes, em cujas redondezas foi possível, aos bombeiros e a muitos populares, controlá-lo.
À vista, é uma perfeita desolação. É certo que lavrou, sobretudo, em terrenos baldios, que se encontram completamente ao abandono. Outrora, estas grandes áreas estavam entregues aos Serviços Florestais, que durante mais de 40 anos delas cuidaram, e do que era apenas mato, surgiram enormes extensões de floresta, sobretudo de pinheiro, cuidados com todo o carinho pelos Guardas Florestais, ali residentes.
Isto, porém, é história, diríamos triste, que acabou com a extinção dessa política, há mais de trinta anos.
Que fazer agora? Não vemos outra solução que não seja a de refazer uma política que provou ser a acertada. Ainda existem muitos profissionais e técnicos, agora integrados no Ministério da Agricultura, conhecedores do terreno e das tecnologias para dar vida àquilo que hoje se apresenta como verdadeiros “mortórios”. Desse trabalho iriam beneficiar também os proprietários das parcelas de terreno privadas anexas aos baldios.
Perguntar-se-á onde encontrar meios financeiros para implementar esta política de emergência? O Plano de Recuperação e Resiliência ainda deve ter muitos milhares de milhões por aplicar. Não seria este Programa de Recuperação Florestal (até pelo seu próprio nome: Recuperação e Resiliência) talhado para esta finalidade? A quem cometer esta tarefa hercúlea de reflorestar o país? Quem melhor do que as Autarquias locais: Juntas de Freguesia e respetivas Câmaras Municipais? Estas podem acolher nos seus quadros de pessoal, técnicos florestais e vigilantes e até autonomizar estes serviços, a exemplo de outros, como os Serviços da Água. É nossa convicção que as competências que as autarquias têm para cuidar das aldeias e arruamentos das cidades, poderiam e deveriam estender-se a todo o território do respetivo município.
Está na ANMP – Associação Nacional de Municípios Portugueses a capacidade de meter mãos á obra de imediato. Só é necessária vontade política.




