Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Isabel II: um símbolo

A que propósito se dá tanta importância à morte de uma senhora de 96 anos?

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Uma senhora idosa que, para chegar onde chegou, o de ser filha de um senhor que era irmão de quem não quis ser rei.
A pergunta é pertinente, mas, não entender a importância da senhora Elizabeth Alexandra Mary Windsor – Elisabeth II, Rainha de Inglaterra e de uma série de outros países e nações, é não ver a magia, o espírito, a necessidade de rituais e símbolos que são a essência dos nossos valores.

Fez bem o Governo e o Presidente da República terem decretado luto nacional de três dias. Terá sido exagerado o período? Talvez, mas isso não retira o mérito a esta decisão.

Quando nos lembrarmos desta segunda semana de setembro de 2022, recordaremos seguramente a tarde do dia 8, quando foi anunciado a morte da Monarca. Nos últimos dias, até nos pareceu exagerado tudo o que foi sendo dito sobre aquela a quem já chamam de “ Elisabeth a Grande”. Há também quem se interrogue, com razão, sobre como será o futuro sem a presença tranquilizadora desta mulher que parecia não ter poder. Ela própria que prometeu no dia em que completou 21 anos: “Eu declaro perante vós todos, que toda a minha vida – seja ela longa ou curta – será devotada ao vosso serviço e ao serviço da nossa grande família imperial, à qual todos nós pertencemos. Mas a única coisa que receio é que não venha a ter a força para carregar este fardo sozinha, enquanto não se juntarem a mim, como eu vos convido agora a fazer”. Uma declaração prenunciadora que antecipava o que viria a ser o seu longo e bem sucedido reinado.

O que será do Reino Unido pós-Isabelino? A rainha representava a unidade, quase paradoxal, de quatro nações numa única nação, – o Reino Unido. Agora, porém, é muito provável que os escoceses abandonem a União Britânica para voltarem a juntar-se à União Europeia. A Irlanda do Norte vê cada vez mais o seu futuro com a República da Irlanda, como uma espécie de membro informal da União Europeia – palavras de Timothy Carton Ash, professor na Universidade de Oxford, ideia que também partilhamos.

Carlos III, que subiu ao trono, entretanto, terá a serenidade da sua mãe para liderar um novo tempo, que é novo, não apenas para o Reino Unido, mas para os povos dos cinco continentes, cada vez mais presentes, na história que diariamente se vai construindo?

O momento parece muito agitado, por ventos que não se sabe muito bem de onde veem. Oxalá o novo Monarca, siga o exemplo da sua mãe, nos mares encapelados que nos esperam. Oxalá.

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