Na verdade, JLA dedicou-se de alma e coração à medicina tendo alcançado as mais altas distinções e ocupado os lugares de topo das duas carreiras que abraçou a carreira médica hospitalar e a carreira universitária – Diretor do Serviço de Neurocirurgia do H. Santa Maria e Professor Catedrático da FM da UL. JLA fez a sua formação em NY onde trabalhou 13 anos tendo regressado em 1983 para enriquecer a medicina e a cultura nacionais. Para JLA a medicina, a neurocirurgia e o ensino universitário sempre estiveram em primeiro lugar. Publicou sete livros de ensaios em que aborda maioritariamente temas médicos, de ensino, de ética, sempre enriquecidos pela sua vasta e diversificada bagagem cultural. Escreveu, também, a biografia de Egas Moniz e um opusculo intitulado “A Nova Medicina”.
JLA justifica assim a sua preferência pelo ensaio: O género de ensaios que Montaigne criou são, como alguém os definiu, um modo de falar com os outros por escrito, uma espécie de cartas públicas que transmitem opiniões, informações comentários, sentimentos, não se vergando ao código seco de uma peça jornalística nem prometendo o rigor de um documento científico.
Segundo JLA, os médicos-escritores colhem, igualmente, da vida clínica, narrativas, episódios, situações e deles se servem para ilustrar um discurso mais científico, pedagógico, filosófico ou ético, assoprando a a vida real em matérias de mais sisuda gravidade. É o que transparece dos seus livros, fonte riquíssima de ensinamentos e de cultura, que os tratados médicos não contemplam.
Livros: “Um Modo de Ser” (1996), “Numa Cidade Feliz” (1999), “Memória de Nova Iorque e Outros Ensaios” (2002), ”Sobre a Mão e Outros Ensaios” (2005), “O Eco Silencioso” (2008), “Inquietação Interminável” (2010), “Egas Moniz. Uma Biografia” (2011),“A Nova Medicina” (2012), “Ouvir com Outros Olhos” (2015).
Os títulos dos livros dizem-nos pouco ou nada sobre a substância que contêm, da sua riqueza e atualidade, em que o autor alia a sua vivência de médico e de neurocirurgião, à de universitário, professor de medicina e à de cidadão do mundo, sendo estas matérias sustentadas por uma riqueza cultural fora do comum. Para nos apercebermos melhor do que nos fala JLA vejamos alguns títulos dos temas abordados. O Médico Neurocirurgião disserta sobre: “Ensinar e Aprender Neurocirurgia”, “Aspetos éticos do treino cirúrgico”, “Operando a Memória”, “Sobre as minhas mortes”, “O médico doente”, “O Dever Esquecido”, “Ciência e tecnologia: meio ou fim?”, “Porque o cérebro é diferente”, “A Medicina e o transcendente”, sobre a Arte Médica “Estranhas sinapses”, “A Medicina e o transcendente”.
O Universitário atento à sua escola e de um modo geral à Universidade no nosso país discorre sobre: “Descoberta científica e criação artística”, “A quarta missão da universidade” (30.000 estudantes nos anos 60/360.000 em 2002), “O Hospital Universitário”, “Aluno-médico-doente”, “Sobre educação sem números”, “Reflexões sobre a investigação médica em Portugal”, “O currículo escondido”, “Nova ciência, nova educação”
O Homem de Cultura e o Cidadão do Mundo escreve sobre:
“O Ensino da Ética”, “Conflito de Interesses”, “O estado social somos nós”, “Ética e participação pública”, “Um neurocirurgião na casa da música”, “O que quero para Portugal”, “Relendo a Morte de Ivan Illitch” (Tolstoi), “Um comentário a um trecho do Evangelho segundo S. Lucas”, “Júlio Pomar e a Guerra e Paz”, “As faces de Arcimboldo”, “A minha aventura com D. Quixote”.




