Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2023
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Paulo Reis Mourão
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Leituras e desafios sobre as Maiores da região

O relatório disponibilizado ao jornal “A Voz de Trás-os-Montes” sobre as 500 Maiores Empresas da região, atualizado com os valores de 2021, possibilita uma leitura muito estimulante.

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Em primeiro lugar, há um novo pódio do volume de negócios, resultado do aparecimento da MovHera (e logo em primeiro lugar), da queda da Faurécia para 3º e da manutenção da Gold Energy em 2º. Também com uma entrada oficial notória surge a Unidade Local de Saúde do Nordeste (para o 5º lugar do Volume de Negócios e para o primeiro em termos de número de colaboradores).

Em segundo lugar, verifica-se que os setores das Energéticas e da ‘Real Estate’ (Imobiliário e Propriedades) refletiram um ano de grande dinamismo na região. Aliás, se colocarmos o foco nos pódios municipais é difícil termos um concelho sem uma empresa destes setores nos respetivos topos. Se incluirmos os setores da Comercialização e Distribuição da Água e Recursos Hídricos, da Saúde, da Construção Civil e das Componentes do ramo Automóvel então temos a quase-total cobertura das maiores empresas da região em matéria setorial.

Quando olhamos para o indicador do Resultado Líquido, este tendeu a ter maiores valores em 2021 do que no ano anterior para a empresa típica (portanto, tendeu a ter maiores valores em 2021 do que em 2020). No entanto, tal evolução surge em sentido contrário à evolução do emprego, tendo sido verificado que 5 das 10 maiores empresas assumiram ter reduzido o número de colaboradores. De facto, se tal movimentação no volume de trabalho contratado foi heterogéneo no topo, já quando olhamos para o fundo das 500 maiores tendemos a encontrar empresas que mantiveram/procuraram manter o número de trabalhadores entre 2020 e 2021. Notou-se ainda que 3 das 5 maiores declararam prejuízos em 2021. A empresa da região com maior lucro em 2021 foi a Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas (7ª em termos de Volume de Negócios), ultrapassando os 14 milhões de euros de Resultado Líquido e tendo melhorado, inclusive, o desempenho neste indicador face a 2020.

Num quarto ponto, nota-se que, sem grande surpresa, as maiores empresas tendem a localizar-se nos municípios mais urbanizados, geralmente sediados nas cidades da região.

Finalmente, nesta parte de leitura descritiva, um comentário breve sobre algumas das maiores subidas no volume de negócios. Assim, merecem destaque a Engie Hidroeléctrica (subiu do 242º posto para o 30º), a Instead (do 115º para o 58º), a Monteiro & Irmão (do 127º para o 72º), a Pólo (155º para 104º) e a BLCK, Lda (220º para 149º).

Termino com outros desafios, agora lançados para os valores do próximo ano. 2022 está a ser um ano marcado pela tentativa de regresso pós-pandémico, mas também pela inflação e pela guerra na Ucrânia. Até que ponto estas dimensões, tão exógenas, impactam, e impactarão, as empresas da região e, através delas, emprego na região? Até que ponto a estabilização dos ciclos eleitorais legislativos e municipais comportarão oportunidades estratégicas para a economia da região (incluindo os restos do propalado PRR)? E, finalmente, até que ponto as vagas migratórias estão a ser devidamente acolhidas (Vila Real, segundo estudo divulgado pelo Correio do Minho, é o terceiro concelho do país com mais brasileiros por total de imigrantes)? Todas estas questões estão em aberto e terão implicações económicas.

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