Sábado, 22 de Junho de 2024
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real

Nem todos os membros do Parlamento se orientam por valores

Diz-se que o Parlamento é a casa da democracia. E com precisão.

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Há, todavia, quem insista em a desvalorizar de tal maneira que, por vezes, quando acompanhamos alguns debates que ali decorrem, ficamos desiludidos. E quem por lá passou alguns anos, em tempos em que a elevação, o respeito pela diferença de pensamento, a fundamentação dos pontos de vista, a obrigatoriedade de apresentar propostas só se devidamente fundamentadas sente, ainda mais, essa desilusão.

Acompanhei, como, decerto, alguns, senão muitos, dos que leem este Visto as intervenções finais que antecederam a votação final global do Orçamento de Estado para 2024.

Não queria acreditar no que vi e ouvi da tribuna que me habituei a ver com muito respeito no tempo de Almeida Santos, Barbosa de Melo, Adriano Moreira, ou João Amaral, de António Guterres, Jaime Gama, Pacheco Pereira, ou Mota Amaral, de Helena Roseta, de Odete Santos, ou Manuela Aguiar.

As intervenções de dois presidentes de partidos do espetro parlamentar mais à direita foram de tão baixo nível que se pensaria não ser possível existirem. Mas aconteceram. Não se diz virado para o Primeiro-ministro, “provavelmente, nem a sua mãe acredita em si”, ou não se encena uma despedida com expressões como “Hasta la vista”. Não se esperariam palavras elogiosas dirigidas ao Primeiro-ministro demissionário. Palavras de cordialidade democrática, essas, sim, eram expectáveis. Um simples aplauso, cerimonioso. E não aconteceram de nenhuma bancada da oposição. Mau presságio para a democracia. Sinal de que os valores de ética, educação e respeito se vão perdendo por aquelas bancadas.

Como acontece muitas vezes, as crises podem tornar-se momentos de afirmação e de oportunidade para que surjam novos valores. Podem alguns não o querer reconhecer; podem até dirigir-se-lhes com desdém, altivez incontida, ou paternalismo sem sentido. O que não se negará é que os atuais candidatos a Secretário-Geral para suceder a António Costa têm valor e se mostram capazes de um bom desempenho se os portugueses quiserem dar-lhe a oportunidade de presidir aos destinos do país.

Pessoalmente, e não com surpresa, sinto que quadros mais novos, de gerações que não fizeram Abril, mas já nasceram ou cresceram em democracia, se mostram capazes de liderar Portugal. Com ideias, propostas e convicções, capazes, pois, de continuar a trilhar os caminhos de desenvolvimento que têm vindo a ser seguidos.

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