Sábado, 18 de Setembro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Nova ética jornalística da democracia

Valdemar Cruz resumiu em catorze mandamentos um novo código de conduta para os jornalistas, que «desinformam», mais do que «formam» a opinião pública.

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Tomo a liberdade de enunciar nesta coluna quinzenal este código tão escravoso:
“1. Farto de jornalistas que se pretendem mais sábios que os especialistas que pretendem entrevistar.

2. Farto de jornalistas que fazem da entrevista um espaço de demonstração de poder.

3. Farto de jornalistas que perguntam, não porque queiram obter respostas, mas porque regurgitam de prazer com o eco das suas perguntas.

4. Farto de jornalistas sem disponibilidade para ouvir as respostas do convidado, o que implica ser educado, saber escutar, e perceber que a agressividade, por si só, não faz um bom jornalista, nem faz inteligentes perguntas absurdas e até idiotas.

5. Farto de jornalistas cujo ego os impede de perceber que as perguntas não se destinam a confirmar as suas certezas, mas a esclarecer o espetador/leitor.

6. Farto de jornalistas, cuja arrogância os cega ao ponto de não perceberem que quem pergunta bem é quem humildemente reconhece que não sabe.

7. Farto de esperar por jornalistas empenhados em fazer entrevistas sérias, esclarecedoras, em que o entrevistado não se sinta acossado, nem tenha de estar tão desconfortável como o condenado à espera que lhe ponham a cabeça no cepo.

8. Farto de esperar por jornalistas capazes de colocarem as perguntas certas, incómodas, pertinentes e inteligentes, sem exibicionismos pacóvios.

9. Farto de jornalistas que olham para a câmara de TV como uma espécie de trono onde se projeta o seu poder imperial.

10. Saudades dos jornalistas que não se sentem obrigados a demonstrar conhecimentos infinitamente superiores ao dos seus convidados.

11. Saudades dos jornalistas que não abdicam da curiosidade, muita curiosidade, o que implica fazer perguntas realmente úteis, e sem subserviência.

12. Saudades de Larry King. Morreu há dias. Ao longo da sua vida fez milhares de entrevistas e nunca abdicou dos princípios básicos de uma boa entrevista para confrontar os seus convidados.

13. Larry King não era jornalista. Fazia questão de vincar que não era jornalista. Mas procurava cumprir sempre as mais elementares regras do bom jornalismo. Ao longo de uma vida acabou por construir como que um manual da boa entrevista.

14. Ou seja: sempre que faz uma entrevista, um jornalista não precisa de inventar a pólvora. Basta-lhe ser rigoroso, competente e respeitador. Digo eu…”
Faço minhas as palavras deste autor que não conheço.

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