Quarta-feira, 6 de Julho de 2022

O 25 de abril e a Europa

Recentemente, passou mais um aniversário do 25 de Abril de 74. O programa das comemorações foi o habitual: discursos, desfiles e gastronomia.

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opiiPara mim, 25 de Abril de 74 só com o 25 de Novembro de 75, porque se a primeira data abriu a porta à democracia, a segunda fechou a porta a uma nova ditadura – a comunista. Pelo meio, quase houve uma guerra civil.

Faz parte das comemorações inquirir as pessoas sobre quais os principais benefícios que esses eventos trouxeram a Portugal. As respostas são na sua quase totalidade: a democracia e a liberdade. Especificando melhor as preferência mais comuns são: o SNS, os partidos políticos e as eleições, o poder local e a liberdade de imprensa. Estou de acordo que estas foram grandes conquistas, mas tenho para mim que o maior benefício do 25 de Abril/25 de Novembro foi a nossa adesão à União Europeia (UE).

Na verdade, sem democracia e sem liberdade nunca teríamos sido admitidos nesta magnífica Europa, sede da civilização e cultura ocidentais que, graças à sua atual união, ombreia com os grandes deste mundo. Esta adesão à UE ajudou-nos a sair do atraso em que vivíamos e a ter o país que temos hoje.

Quem conheceu o país antes da democracia e, nomeadamente, o país do interior, atrasado, analfabeto e paupérrimo pode avaliar os benefícios que a Europa nos trouxe. É bom não esquecer que andamos há mais de 30 anos a receber dinheiro e outros benefícios das instituições europeias, sendo as nossas contrapartidas muito modestas.

A extrema esquerda é contra a Europa por uma questão meramente ideológica já que, para a esquerda, a UE é o capitalismo, o mercado livre, a liberdade e a democracia parlamentar, tudo o que odeiam e combatem.

Não podemos deixar de perguntar aos inimigos da UE qual o país ou continente do mundo que tem um estado social tão eficaz e desenvolvido como o que existe na Europa? Não há e, por isso, ninguém compreende que quem se diz defensor dos mais desfavorecidos esteja contra os países que mais os defendem.

Coisa diferente são as reservas daqueles que olham para a questão de um ponto de vista que podemos designar como mais nacionalista e mais histórico, considerando que a UE nos retirou alguma da nossa soberania.

Sem dúvida que perdemos algum poder decisório, mas, no essencial, somos nós que nos governamos. As decisões tomadas em Bruxelas serão piores que as nossas já três bancas-rotas e a consequente vinda da troica? Sinceramente, não creio e pergunto, se não fosse a Europa, quantas falências e quantas troicas já teríamos tido? Nos quase 900 anos da nossa existência, temo-nos mantido com as mesmas fronteiras e, assim, queremos continuar.

Integrados numa comunidade como a UE estamos mais seguros, mais prósperos e mais modernos. Quem tiver dúvidas, olhe para a bárbara agressão de que está a ser vítima a Ucrânia.

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