Quinta-feira, 11 de Junho de 2026
Gabriela Botelho
Gabriela Botelho
Criminóloga

O divórcio e o desenvolvimento saudável das crianças

O divórcio é por si só, um momento de instabilidade emocional para todos os envolvidos especialmente para os filhos.

Contudo, o que acarreta mais consequências para as crianças, na grande maioria dos casos, não é o divórcio em si, mas a relação conflituosa entre os progenitores, que se mantém após a separação.  Em 20-25% dos divórcios, os pais apresentam uma relação de coparentalidade altamente conflituosa, caracterizada por uma comunicação deficiente, pouca cooperação, grande desconfiança e desacordo na tomada de decisões. Nestas situações, as consequências para a criança podem ser profundas e duradouras, afetando seu bem-estar emocional, desenvolvimento psicológico e até o seu desempenho escolar.

Uma das principais consequências desta dinâmica familiar é o aumento da ansiedade e da insegurança. A criança pode sentir-se dividida entre os pais vivendo no ambiente de lealdades conflituantes. Quando ouve discussões, críticas ou insultos entre progenitores sente-se muitas vezes responsável pela tensão existente, até porque as crianças são como pequenas esponjas e absorvem tudo o que as rodeia. Além disso, crianças expostas a conflitos parentais frequentes podem desenvolver sintomas de stress, depressão e/ou comportamentos agressivos. Em idade escolar essas manifestações podem traduzir-se em dificuldades de concentração, queda do rendimento escolar e problemas no relacionamento com colegas e professores.

Outro impacto significativo está na forma como uma criança aprende a lidar com os próprios conflitos ou problemas. Ao observar uma relação marcada por disputas, chantagens emocionais e falta de comunicação, há uma grande probabilidade de a criança normalizar essas atitudes reproduzindo padrões comportamentais semelhantes no futuro.

A constante exposição à hostilidade entre os pais pode afetar negativamente a sua autoestima e o seu desenvolvimento emocional conduzindo a sentimentos de abandono, rejeição ou revolta.

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Por estas razões é essencial que, mesmo após o fim do relacionamento, os pais consigam estabelecer uma convivência respeitosa e colaborativa, centrada no bem-estar da criança.

O diálogo, o respeito mútuo e a cooperação são fundamentais para garantir que a separação não compromete o desenvolvimento saudável dos filhos, já que, o conflito constante entre pais divorciados não afeta apenas a dinâmica familiar, mas interfere profundamente na saúde emocional da criança.

Em suma, crianças filhas de pais separados que mantêm uma relação saudável e comunicativa apresentam menos problemas de adaptação comparativamente a crianças cujos pais têm uma relação pautada pelo conflito, estejam eles juntos ou separados.

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