Sábado, 3 de Dezembro de 2022
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Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Douro revisitado

Apesar de nado e criado na região transmontana-duriense, confesso que não conheço em toda a sua plenitude o Douro Vinhateiro, principalmente no que diz respeito à morfologia geográfica do chamado Douro Superior.

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Tive oportunidade, há dias, de fazer uma pequena incursão a esse território ímpar, Património da Humanidade, que me permitiu revisitar alguns locais já conhecidos da minha infância, como a Régua e Covelinhas e descobrir outros, pela primeira vez, como foi o caso da envolvente às estações de caminho de ferro do Pinhão e do Tua. Foram dois dias agradavelmente preenchidos, o primeiro efetuando o percurso, no comboio histórico, da estação da Régua até ao Tua e vice-versa e o segundo fazendo o mesmo roteiro, de barco, com inicio no cais fluvial da Régua e término no Pinhão, com regresso ao ponto de partida.

Em ambos os percursos, tive o ensejo de desfrutar da beleza paisagística das encostas sobranceiras ao rio, recordando tempos idos, como foi o caso das aldeias de Covelinhas e da Folgosa, que têm em comum a particularidade de se situaram em margens opostas do Douro, uma em frente à outra. Covelinhas permanece ainda na minha memória, por razões históricas, associada ao serviço postal de antigamente. Era da estação de caminho de ferro, desta pitoresca aldeia duriense, que todos os dias chegava e saía a mala postal das aldeias de Galafura e de Guiães, num trajeto feito a pé por um caminho pedregoso e acidentado.

Durante vários anos assegurado pelo guianense Ernesto Cadete que, de manhã cedo, partia de Guiães, com a mala do correio às costas, passando depois por Galafura, para idêntica tarefa, descendo de seguida o caminho de pé posto que o levaria a Covelinhas onde depositava as malas postais com destino ao comboio correio. Posteriormente, fazia o caminho inverso, com as outras malas acabadas de recolher, para chegar a Guiães ao final do dia.

Era também de Covelinhas que, por ocasião da romaria anual em honra de S. Eufémia, realizada a 1 de novembro, as gentes das redondezas atravessavam o Douro, para a outra margem, continuando depois o resto do percurso a pé até à capelinha, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora, para cumprirem as suas promessas. Outros faziam também a mesma travessia para de seguida caminharem até à localidade de Marmelal procurando o bruxo, que aí residia, em busca de cura para os seus males.

Enfim, foi possível fazer mentalmente um regresso ao passado e descobrir novas paisagens do nosso Douro encantado.

PS: Tive conhecimento do falecimento, em 24 deste mês, no Brasil, da Tia Maria Mota, minha estimada conterrânea, e uma das mais lutadoras e corajosas mulheres que conheci. Uma verdadeira heroína. Emigrada há mais de 60 anos, nunca perdeu a sua autenticidade transmontana. Para a minha amiga Dalva e seus irmãos apresento os meus sentidos pêsames.

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