Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022
Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Monte de S. Domingos de Gusmão

O Monte de S. Domingos de Gusmão, ou Monte Coxo como também é conhecido, dista em linha reta 5km da terra onde nasci.

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De minha casa habituei-me, desde pequeno, a contemplá-lo à distância, despertando em mim, uma enorme curiosidade, em conhecê-lo mais de perto. Esse desejo foi cumprido em meados da década de 60 do século passado, quando no dia da romaria, que ali costuma realizar-se, anualmente, no dia 4 de agosto, decidi, na companhia de dois meus conterrâneos, o Zé Bailão e o Bernardo Brites, fazer-me a caminho para satisfazer esse desejo antigo.

Os meus dois companheiros de jornada tinham sido mobilizados para Angola, talvez a sua ida, àquele lugar belo e apelativo, fizesse parte de alguma promessa para os proteger dos perigos que iriam enfrentar. Felizmente, regressaram ambos sãos e salvos. Nesse dia, de madrugada, lá fomos os três pelo caminho de pé posto, descendo a vertente nascente onde se situa Guiães, passando por sítios tão diversos como as Vajancas, o Castelo, atravessando depois o pequeno rio Ceira, que separa administrativamente os concelhos de Vila Real do de Sabrosa, e subindo depois a outra encosta até Ordonho, continuando por Abrecovo e finalmente o nosso local de destino.

Ali chegados visitamos o interior da capelinha, para uns breves momentos de recolhimento e meditação. Seguidamente, resolvemos dar uma volta pelo recinto para nos deslumbrarmos com a extraordinária paisagem que se nos apresentava em redor daquele lugar paradisíaco e único, que a mãe natureza decidiu brindar com tão sublime visão idílica, as gentes daquela zona rural. Guiães, vista dali, naquele tempo, oferecia a qualquer visitante uma panorâmica deslumbrante, com o seu casario, disposto ordenadamente, integrado nos espaços verdes circundantes, numa simbiose perfeita que mais parecia estarmos em presença de um filme de ficção do que de uma realidade geográfica concreta. Do lado de fora do recinto a existência de um marco geodésico despertou a minha atenção, vindo, mais tarde, a saber, por razões profissionais, que o dito objeto integra a rede geodésica nacional, cujo centro geográfico se localiza em Melriça, no concelho de Vila de Rei.

Existindo nas imediações as aldeias de Vilela, Abrecovo, Donelo e Covas do Douro, estrategicamente posicionadas na envolvente, permite que lhe atribuamos o significado bíblico de guardiãs daquele lugar, ao mesmo tempo, sagrado e profano, que vai permanecendo indiferente à erosão do tempo.

Situado a 863 metros de altitude, o Monte de S. Domingos de Gusmão é um dos sítios mais fascinantes do Douro Vinhateiro, mas, lamentavelmente, nem sequer consta dos roteiros turísticos nacionais. É uma pena.

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