Quinta-feira, 19 de Maio de 2022
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Peregrino de Santiago

Fazer o Caminho de Santiago foi sempre um dos meus sonhos. Finalmente, consegui concretizá-lo. Depois de uma cuidada preparação, quer física quer mental, fiz-me ao caminho. Escolhi o trajeto entre Sarriá e Santiago, parte integrante do caminho francês, numa extensão de 114,5 km.

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A preparação que fiz penso que foi a adequada: caminhadas de cerca de 6 km, 3 a 4 vezes por semana, durante seis meses. Estudei muito bem as várias etapas do percurso o que me permitiu dosear o esforço durante cada uma delas. Isto é muito importante porque nos permite enfrentar todo o percurso com a convicção de que vamos chegar ao fim.

A minha experiência foi muito positiva. De todos os percursos o que mais me agradou foi o primeiro, entre Sarriá e Portomarin. Parti da frente do Mosteiro da Madalena e cheguei a Portomarin depois de atravessar uma linda ponte. O trajeto tem várias subidas, mas desenvolve-se todo por caminhos estreitos, quase sempre entre paredes de pedra. O piso é bom e permite que se caminhe com segurança.

A etapa mais longa foi a terceira, entre Palas de Rei e Arzúa, na extensão de 28,1 km. O trajeto foi o mais difícil de todos. A dificuldade teve a ver com a extensão e com as subidas bastante acentuadas e longas, que foi preciso “vencer”. A que mais me custou a “vencer” foi a segunda, com 25,1 km, entre Pormarin e Palas de Rei. O percurso é agradável, mas tem subidas longas e bastante difíceis. Tal como as outras etapas, esta tem uma forte ligação com a natureza. Respira-se ar puro. Veem-se animais, pastando. Enfim, está-se em contacto permanente com a natureza. Um aspeto muito interessante é que durante os cinco dias “convivi” com peregrinos ciclistas e peregrinos a cavalo, o que introduz um certo exotismo ao nosso caminho.

Como devemos fazer a preparação? Antes de tudo, devemos pedir a Credencial do Peregrino e carimbar pelo menos duas vezes por dia em vários pontos do circuito, como restaurantes, hotéis, capelas e/ou igrejas e algumas lojas. Só com a credencial devidamente carimbada é que, quando no final passamos pela Basílica, recebemos a carta de certificação da visita à Basílica e do Caminho de Santiago, nos dão as saudações do Beato Apóstolo Santiago e, por seu intermédio, pedem que Deus se digne conceder-nos as riquezas espirituais da peregrinação, assim como os bens materiais.

Deste certificado constam os quilómetros andados, o dia do início e o dia final da peregrinação. Um dos aspetos mais interessantes é a convivência e a amizade que se criam entre os peregrinos. Nos momentos mais difíceis tive palavras de ânimo que muito me ajudaram a concretizar o objetivo de fazer o Caminho de Santiago.

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