Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Os Serviços Florestais existem?

Este ano a canícula veio mais violenta que nunca, carregando com ela a saga incendiária de sempre. Parece sina nossa: quando o calor aperta as serras comecem a arder.

-PUB-

Os governantes esforçam-se para justificar porque é que os matos ardem, em particular no centro do país, Leiria e Portalegre, e um pouco pelo Norte, Chaves e Ponte da Barca.
As declarações políticas, do chefe do governo e de um ou dois dos governantes que se têm manifestado mais, não nos convencem. António Costa responsabiliza o minifúndio e a falta de entendimento entre os proprietários circunvizinhos, que não limpam os terrenos e não fazem um melhor uso das espécies florestais, insistindo naquelas que são de mais rápido desenvolvimento, como o eucalipto, em vez de plantarem as espécies autóctones, como o carvalho ou o azinho, que demoram cinquenta ou mais anos a desenvolver, mas são mais resistentes aos fogos e às intempéries.

Tudo palavras certas, mas não passam de palavras. O panorama florestal do país não se alterará, sem medidas sérias, que tenham um mínimo de rentabilidade. O Eng.º Braga da Cruz, que foi Presidente da CCDR Norte e é hoje o Presidente da Forestis – Associação Florestal de Portugal, tem sobre este assunto uma palavra certeira: “o que está sempre em causa é gerir melhor a floresta”. É o que nós pensamos, com uma pequena nuance: quem é que está disponível para plantar floresta, depois de, há cerca de 30 anos, a administração central ter acabado com os Serviços Florestais?

Todos nós nos recordamos das dezenas de casas dos Guardas Florestais, espalhadas pela serra fora, onde viviam estes servidores do Estado que tão bons serviços prestavam.

Quem é que acabou com os Serviços Florestais? Porque não se reconhece o erro e se lança de imediato mãos à obra, e se refaz a floresta, que era um encanto para quem percorria o país nos idos anos de sessenta e setenta!

Onde estão as centenas de “cantoneiros” que diariamente vigiavam estes espaços?
Temos insistido neste tema, relacionando-o com a forma de gestão dos baldios, que são “terra de ninguém”, embora as Comissões de Compartes continuem a existir.

Só há uma maneira de evitar a calamidade dos incêndios. Refazendo e ordenando o tecido florestal, com os meios financeiros (PRR e Fundos Comunitários) nas mãos das Autarquias Locais. Só assim será possível inverter rapidamente esta desastrosa situação a que deixamos chegar a nossa floresta que, em boa verdade, já não existe.

Será que é preciso continuar a deixar arder para entregar às autarquias este encargo do ordenamento do nosso território?

Porque é que não ardem as matas das celuloses? Querem melhor exemplo?

Mais Lidas

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.