Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021

Os servidores da saúde e a pandemia

A medicina é, sem dúvida, uma atividade apaixonante. O exercício da medicina, quando praticado com devoção, torna os servidores da saúde em humanitários por excelência. Esta pandemia provocada por um inimigo terrível e desconhecido, que nos ataca à traição, sem darmos por ele, já causou muitos milhares de doentes e de mortes e muito sofrimento: […]

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A medicina é, sem dúvida, uma atividade apaixonante. O exercício da medicina, quando praticado com devoção, torna os servidores da saúde em humanitários por excelência. Esta pandemia provocada por um inimigo terrível e desconhecido, que nos ataca à traição, sem darmos por ele, já causou muitos milhares de doentes e de mortes e muito sofrimento: físico, psíquico e social. Repare-se que ela juntou a doença e a solidão ou seja o pior do sofrimento humano como salientou um eticista americano: “Tal como a doença é a maior das misérias, a maior miséria da doença é a solidão”. Mas esta pandemia não nos trouxe só miséria, também nos proporcionou incontáveis exemplos do melhor que tem o ser humano: amor, solidariedade, abnegação, generosidade, compaixão e também imaginação e criatividade. Muitas profissões e muitos profissionais estiveram e estão envolvidos no combate a este traiçoeiro inimigo, sendo todos dignos da nossa admiração e gratidão. Compreenderão que pela minha formação de médico esteja mais atento aos que se dedicam à saúde. Correndo sérios riscos de vida, estiveram desde a primeira hora na linha da frente, não questionando horários, benesses, instalações, equipamentos, vencimentos, etc. Por vezes, sem os meios adequados e em condições dificílimas, afastados da família, dos amigos, da sua casa, mas sempre com um alto sentido profissional, ético e humanista. A sua dedicação adequa-se por inteiro ao pensamento de Albert Schweitzer, médico e um dos maiores cristãos e humanitários do seu tempo (Prémio Nobel em 1952), quando afirmou: “Não há religião maior do que o serviço humanitário, porque trabalhar para o bem comum é o maior credo”. Hipócrates, o “Pai “dos médicos, defendia que estes se deverão afirmar por valores e princípios que desde sempre foram o suporte da profissão médica: a ética e a deontologia. A ética para qualquer pessoa é a sua moral, que, infelizmente, é muitas vezes esquecida. Para os médicos, enfermeiros e técnicos de saúde que lidam com doentes, a ética deverá estar sempre presente todos os dias, a todas as horas e minutos e, talvez por isso, se lhe dê maior importância e se respeite mais. Como disse no início, o exercício da medicina é apaixonante e a sua magia vem dos deuses: “A Medicina terá sido fundada por Asclépio (deus bastardo da medicina), filho de Apolo (deus da poesia) e de uma mortal, e a história de Asclépio é uma história de amor e ciúme o que talvez explique por que razão a medicina só faz sentido se for praticada com paixão. De Asclépio veio o nosso pai Hipócrates, segundo a lenda o seu 17º descendente”. 

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