Era uma proposta de mobilidade integrada e integradora, que foi prontamente criticada pelos nossos adversários – um sinal inequívoco da sua relevância, utilidade e importância no debate político.
A proposta em si não se traduzia apenas numa benesse para os residentes no concelho. Ela representa uma proposta mais abrangente de progresso, desde logo das freguesias periurbanas, ao nível do investimento e desenvolvimento imobiliário, por exemplo, onde previa que muitas das freguesias que se localizam na periferia da sede de concelho, pudessem vir a servir de residência alternativa para os vila-realenses e para os estudantes da UTAD, retirando, com isso, pressão sobre os preços da habitação na sede de concelho.
Permitia, igualmente, retirar automóveis do centro da cidade, reduzir os custos de repavimentações das vias, do número de acidentes e os “benefícios ambientais” seriam também consideráveis, mas, acima de tudo, seria uma medida socialmente justa e ambientalmente inteligente.
Na minha experiência como vereador, e após reuniões de câmara realizadas em todas as freguesias, verifiquei que foi ponto comum, o desagrado das populações, com o desajustamento da oferta de transporte, face à necessidade das pessoas, nomeadamente no que diz respeito a horários e frequência.
Parecia, efetivamente, uma boa proposta. Estava inclusivamente quantificada, num valor anual próximo de 3.000.000€.
Esta é uma solução já testada e comprovada. O primeiro modelo da gratuitidade dos transportes públicos surgiu na Bélgica, em 1997, na cidade de Hasselt. Em 2018, a França tinha já 30 municípios com este modelo implementado. Em 2020, mais de 100 cidades em todo o mundo tinham transportes gratuitos e em Portugal, em 2021, Cascais e Loulé foram inovadores neste sentido.
Volvidos quatro anos, neste período pré-eleitoral vemos esta “bandeira” eleitoral a ser discutida e apresentada, em vários concelhos do país, com candidatos do PS (Lisboa), do PSD (Porto e Braga) e até do Bloco de Esquerda (Coimbra).
Importa refletir sobre a qualidade e a ousadia das propostas que estão a ser apresentadas aos eleitores, em Vila Real. A política local não pode continuar a ser apenas o território da pequena gestão ou da administração sem estratégia. Governar um município, hoje, exige mais: exige visão política, inovação e coragem para transformar.
Estamos perante uma crise habitacional, problemas sérios de mobilidade, envelhecimento da população, desigualdade territorial e emergência climática. E todos estes desafios têm uma dimensão local incontornável.
Perante este cenário, os candidatos às autarquias não se podem limitar a repetir fórmulas do passado. Propostas ousadas precisam-se!
Porque os eleitores saberão distinguir quem quer apenas gerir o presente, de quem tem coragem para construir o futuro.
Porque se visão sem ousadia é um sonho, a ousadia sem visão é um risco!





