Sábado, 4 de Fevereiro de 2023
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Pandemia, guerra e inflação – A tempestade “perfeita”

Em 2020, o mundo parou por causa da Covid-19. Com o confinamento, muitas empresas viram-se obrigadas a funcionar a meio gás, outras conseguiram manter o normal funcionamento, mas algumas não resistiram e acabaram mesmo por fechar portas.

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Dois anos depois, no início de 2022, e numa altura em que a economia começava a reagir, eis que Rússia e Ucrânia entram em conflito, voltando a colocar o mundo em sobressalto.

Fernando Peixinho, professor no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), lembra que “a crise provocada pela pandemia assolou a economia mundial e, no caso particular de Portugal, registou-se uma contração muito expressiva do PIB, que se cifrou num decréscimo de quase 8,5% em 2020”.

“Temos uma estrutura empresarial que apresenta sérios fatores de vulnerabilidade em relação às
crises económicas”
Fernando Peixinho, IPB

“A estrutura económico-social do país foi fortemente abalada, com o encerramento da economia na quase generalidade dos setores de atividade e com a interrupção das cadeias de abastecimento, que impediram o funcionamento de muitas atividades”, refere, acrescentando que “o ano de 2021 foi já de recuperação, com um crescimento do PIB de 4,9%, o mais elevado desde 1990, o que permitiu recuperar uma parte importante da queda sofrida em 2020”.

Sobre 2022, “perspetivava-se um crescimento significativo”, mas a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, em fevereiro, “impactou fortemente o funcionamento da economia europeia e acelerou um processo inflacionista que começava a dar alguns sinais, já no último trimestre de 2021”.

A junção de todos estes fatores é, para este docente, “a tempestade perfeita”, tendo em conta que “por um lado, a situação pandémica ainda não está totalmente resolvida” e por outro “a guerra, cujo fim não se adivinha, a que acresce uma espiral inflacionista, que bate os recordes dos últimos 32 anos. Estes fatores representam um forte constrangimento para a atividade económica e para as empresas”.

INFLAÇÃO

Mas afinal o que é a inflação? Este é um termo da economia que se refere ao aumento generalizado de preços de bens e serviços, ou seja, alguns preços sobem, outros descem. Trocando por miúdos, a inflação ocorre quando se verifica um aumento geral dos preços e não apenas de artigos específicos. Significa que, com um euro, se compra menos hoje do que ontem, e isso é fácil de perceber numa simples ida ao supermercado.

Com a guerra, assistiu-se a um aumento dos preços, por exemplo, da farinha, da energia e do papel, com as empresas a terem, naturalmente, que aumentar o preço dos seus produtos, tendo em conta que têm mais custos de produção.

Mas quais são os reais impactos, quer para as empresas, quer para os consumidores, numa altura em que se registam valores históricos da taxa de inflação? Fernando Peixinho ajuda-nos a perceber. “A inflação é, provavelmente, um dos fatores mais corrosivos das economias. Taxas de inflação em torno dos 10%, com que certamente iremos encerrar este ano, representam um problema sério para as empresas e para as famílias porque, no plano da política monetária, a subida das taxas de juro para controlar a inflação é absolutamente inevitável e tais efeitos refletem-se numa diminuição da procura agregada (consumo e investimento), face à diminuição do poder de compra e a uma maior dificuldade em obter financiamento e do seu preço ser significativamente mais caro”.

“Ao nível das famílias, sobretudo as de mais baixos rendimentos, ver-se-ão com dificuldades acrescidas para satisfazer os seus compromissos, sejam da prestação da casa ou de qualquer outro compromisso bancário”, adianta o professor. Para se ter uma ideia, “uma família que tenha contraído um empréstimo de 150 mil euros para a aquisição de uma habitação, com a subida de 4% na taxa de juro nominal passa a pagar, por ano, mais seis mil euros, ou seja, verá a prestação subir, em termos médios, cerca de 500 euros por mês”.

Já no caso das empresas que precisem de recorrer a um crédito bancário, “por cada 100 mil euros de empréstimo que contraiam, pagarão, pelo menos, mais 4.000 euros, isto se o prémio de risco não aumentar, algo que muito provavelmente não acontecerá face ao agravamento da perceção do risco de crédito”.

Fernando Peixinho antevê, por isso, grandes dificuldades por parte das empresas em fazer face a esta situação, o que representa, consequentemente, dificuldades para que os consumidores consigam aliviar um pouco as suas carteiras.

“Portugal tem uma estrutura empresarial muito apoiada em micro e pequenas empresas que, no seu conjunto, representam cerca de 98,9% do tecido empresarial português, enquanto as médias empresas são cerca de 0,9% e as grandes empresas 0,2%. Temos, portanto, uma estrutura empresarial que apresenta sérios fatores de vulnerabilidade em relação às crises económicas”, indica. Para o docente, são necessárias “medidas de gestão para ajustar a estrutura operacional às condições de mercado e procurar diminuir a dependência financeira do crédito bancário”.

Por fim, Fernando Peixinho acredita que “o Governo desenvolverá esforços para, no quadro das políticas orçamentais, apoiar as empresas e as famílias para a manutenção da atividade e dos postos de trabalho”, esperando, também, “que a disponibilização dos fundos do PRR, do Portugal 2020 e do Portugal 2030 sejam sujeitos a uma disciplina que favoreça a agilidade na apreciação das candidaturas para que o dinheiro chegue às empresas que resistem a esta crise”.

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