Marcelo antes disse “Porque nós queremos que os Pesos da Régua, dos nossos interiores, sejam tão importantes quanto as Lisboas, os Portos, os Setúbais, as Coimbras, os Aveiros, as Vianas de Castelo, os Faros…” Não vou comentar (muito) o festival de plurais com que o PR optou por se expressar no seu discurso. Nem “ … as Europas, as Américas, as Áfricas e as Ásias Pacíficas…” que nos fazem duvidar sobre o número de continentes do planeta Terra. Porque não quero tirar mérito, e sobretudo verdade, às palavras do PR. Por exemplo, a cómica expressão Pesos da Régua é muito reveladora. Senão vejam só como de seguida o PR nomeia uma série de cidades do litoral do País, essas sim na ponta da língua de quem escreveu o discurso. De uma assentada, um sem número de cidades ou vilas do interior ficaram reduzidas a “Pesos da Régua”, desprovidas de nome e identidade, eliminadas do nosso imaginário coletivo, sentenciadas a um limbo existencial. Seguiu-se uma outra admissão, a vontade de que os Pesos da Régua sejam iguais às Lisboas “… na lei, iguais na esperança no Futuro.” É uma constatação entristecedora, mas ainda assim necessária. O PR reconheceu, em Democracia, um facto antidemocrático, o de que o litoral e o interior nem sequer na lei são iguais.
A desigualdade é uma realidade vivida dia a dia pelos Portugueses. Mas só pode ser chocante que não se faça mais para diminuir as assimetrias regionais do nosso País. Tomemos como exemplo o Douro Vinhateiro, sobre o qual o PR, por razões mais que óbvias, se debruçou. De certeza que na cabeça do PR estaria a avisar o Governo de António Costa e a Assembleia da Republica (AR) de como acha que se deve resolver o problema. Este tipo de pensamento paternalista assume que é nos 230 deputados da AR de Lisboa, dos quais Trás-os-Montes elege apenas 5, que está a solução para os problemas das vinhas do Douro. E com as sucessivas negas à regionalização, assume também que um putativo Parlamento Regional de Trás-os-Montes e Alto Douro não teria a solução.
Uma coisa podemos dizer, a julgar pelas palavras críticas de Marcelo, também ele já não acha que na AR têm estado as soluções para os problemas da nossa região. E se um Parlamento Transmontano não tivesse, no dia de amanhã, uma solução para os problemas do Douro Vinhateiro, quem é que teria mais legitimidade para escrutinar a legislação a esse respeito, os 230 deputados nacionais? Ou as dezenas de deputados de um parlamento eleito por cidadãos transmontanos e durienses, com campanhas eleitorais onde se destacam os problemas regionais e com um claro foco e mandato popular para resolver os problemas da região? Quiçá deveríamos pensar menos nos Pesos da Régua, e mais em Peso da Régua, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro…




