O comércio tradicional foi dos setores mais afetados pela pandemia que estamos a viver, no entanto, em muitas zonas, já se manifestavam fragilidades derivadas de políticas erradas e de centralização de serviços, bem como mau planeamento a nível urbanístico.
É urgente juntar a cultura ao comércio, não uma forma direta, mas indiretamente, atraindo flavienses e não só, ao centro da cidade, onde está o grosso da atividade comercial da cidade e onde deveriam estar também os eventos culturais. Desta forma a atração de clientes ao comércio era constante, já que o próprio calendário cultural faria isso.
O antigo cineteatro na rua de Santo António deveria ser um espaço cultural com multiatividades, dedicado à música, teatro e cinema.
Eu sei que em Chaves existe o centro cultural na antiga estação, mas não é a mesma coisa pois os eventos aí realizados, apesar da qualidade que normalmente evidenciam, não trazem movimento direto à cidade.
Sendo Chaves uma cidade pequena, este tipo de infraestruturas deveria estar concentrado no centro histórico, a exemplo do que acontece na vizinha Espanha, a decisão foi diferente e infelizmente temos neste momento fruto de escavações pouco recomendadas, temos um buraco e uma obra a conta gotas.
O movimento populacional deveria partir do centro para o exterior e não “dispersar” para outras zonas muito afastadas, até que as dinâmicas no centro estivessem bem enraizadas.
Urge habituar as pessoas a procurar no centro e na zona comercial as atividades.
Relembremos que o antigo cine teatro tinha uma sala de espetáculos para cerca de 1000 pessoas, uma modernização dessa estrutura, adaptada à realidade com cerca de uns 500 lugares e com todas as comodidades seria fundamental para dar dinâmicas à cidade.
Para além de este novo espaço, ser mais um espaço cultural na cidade serviria também de “apoio” a atividades para o comércio tradicional, como por exemplo algumas diversões infantis no Natal já que com as condições climatéricas em Chaves, nessa altura, são extremamente difíceis de implementar ao ar livre.
Fundamental também é que se cumpra o desígnio proposto pelo atual executivo da aquisição de duas casas devolutas por ano na zona histórica. Em três anos e meio ainda não adquiriu nenhuma, mas esta recuperação desses edifícios e a implementação de serviços municipais que obrigassem a população a deslocar-se pelo centro comercial da cidade.
Mas para dinamizar, primeiro é necessário planear.





