Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2022
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Planear para dinamizar

O comércio tradicional foi dos setores mais afetados pela pandemia que estamos a viver, no entanto, em muitas zonas, já se manifestavam fragilidades derivadas de políticas erradas e de centralização de serviços, bem como mau planeamento a nível urbanístico.

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O comércio tradicional foi dos setores mais afetados pela pandemia que estamos a viver, no entanto, em muitas zonas, já se manifestavam fragilidades derivadas de políticas erradas e de centralização de serviços, bem como mau planeamento a nível urbanístico. 

É urgente juntar a cultura ao comércio, não uma forma direta, mas indiretamente, atraindo flavienses e não só, ao centro da cidade, onde está o grosso da atividade comercial da cidade e onde deveriam estar também os eventos culturais. Desta forma a atração de clientes ao comércio era constante, já que o próprio calendário cultural faria isso.

O antigo cineteatro na rua de Santo António deveria ser um espaço cultural com multiatividades, dedicado à música, teatro e cinema. 

Eu sei que em Chaves existe o centro cultural na antiga estação, mas não é a mesma coisa pois os eventos aí realizados, apesar da qualidade que normalmente evidenciam, não trazem movimento direto à cidade.

Sendo Chaves uma cidade pequena, este tipo de infraestruturas deveria estar concentrado no centro histórico, a exemplo do que acontece na vizinha Espanha, a decisão foi diferente e infelizmente temos neste momento fruto de escavações pouco recomendadas, temos um buraco e uma obra a conta gotas. 

O movimento populacional deveria partir do centro para o exterior e não “dispersar” para outras zonas muito afastadas, até que as dinâmicas no centro estivessem bem enraizadas.

Urge habituar as pessoas a procurar no centro e na zona comercial as atividades. 

Relembremos que o antigo cine teatro tinha uma sala de espetáculos para cerca de 1000 pessoas, uma modernização dessa estrutura, adaptada à realidade com cerca de uns 500 lugares e com todas as comodidades seria fundamental para dar dinâmicas à cidade.

Para além de este novo espaço, ser mais um espaço cultural na cidade serviria também de “apoio” a atividades para o comércio tradicional, como por exemplo algumas diversões infantis no Natal já que com as condições climatéricas em Chaves, nessa altura, são extremamente difíceis de implementar ao ar livre.

Fundamental também é que se cumpra o desígnio proposto pelo atual executivo da aquisição de duas casas devolutas por ano na zona histórica. Em três anos e meio ainda não adquiriu nenhuma, mas esta recuperação desses edifícios e a implementação de serviços municipais que obrigassem a população a deslocar-se pelo centro comercial da cidade.

Mas para dinamizar, primeiro é necessário planear.

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