Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Portugal ganhou mais 414 mil idosos em 10 anos

Na última década, Portugal tornou-se um país ainda mais envelhecido. De acordo com os Censos 2021, há 182 idosos por cada 100 jovens. Quer isto dizer que os idosos representam quase um terço da população residente (23,4%), enquanto os jovens não chegam aos 13%

Entre 2011 e 2021, o país perdeu população em todos os grupos etários, exceto na população idosa, onde se verificou um aumento 20,6%. No total, quase um em cada quatro portugueses (23,4%) tem mais de 65 anos. Há, segundo os Censos 2021, 182 idosos por cada 100 jovens, sendo que em 2011 o valor era de 102 para 100.

Olhando para o mapa de Portugal, Oleiros (Castelo Branco), Alcoutim (Faro) e Almeida (Guarda) são os municípios mais envelhecidos, com 780, 759 e 722 idosos por cada 100 jovens, respetivamente. Em sentido contrário estão Ribeira Grande (Açores), Lagoa (Açores) e Santa Cruz (Madeira).

Olhando para Trás-os-Montes, e mais precisamente para as capitais de distrito, o concelho de Vila Real tinha, em 2021, 11 663 idosos, mais 2 322 que em 2011, quando eram 9 341. Já o concelho de Bragança tem agora 9 752 idosos, sendo que há uma década eram 8 205 (+1 547). No caso das freguesias mais envelhecidas, Santana (Nisa) surge em primeiro lugar, com 74,7% da população acima dos 64 anos. Desta lista faz parte a freguesia de Outeiro, em Bragança, onde pelo menos dois em cada três residentes têm mais de 64 anos.

Os dados dizem-nos que Portugal se tornou um país mais envelhecido. Em 10 anos, o número de residentes com 65 e mais anos aumentou em 414 mil. Quer isto dizer que, em 2021, Portugal tinha perto de 2,5 milhões de pessoas nesta faixa etária (2 424 122).

FATORES

Os números não deixam dúvidas e Portugal tem cada vez mais idosos. Mónica Costa, docente e investigadora na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) revela alguns dos fatores que estão na base deste envelhecimento da população.

“O envelhecimento da população está prestes a tornar-se numa das transformações mais inquietantes deste século e os dados dos últimos Censos dão-nos conta disso”, afirma, explicando que “é um fenómeno que se deve ao declínio da fertilidade, ao aumento da esperança média de vida e à emigração dos jovens. Olhando para a evolução destes três fatores, percebemos que estamos numa época de grandes transformações sociais”.

O envelhecimento da população deve, segundo a docente, ser olhado com alguma preocupação no sentido de que “acarreta mudanças, por exemplo, no mercado laboral ou na estrutura familiar”. Contudo, “é sinal de que a população tem mais qualidade de vida”, vinca, acrescentando que “aquela imagem de um idoso mais dependente e incapaz está, aos poucos, a desaparecer”.

Olhando mais para as regiões do interior, a docente enaltece o trabalho que as autarquias têm vindo a desenvolver, no sentido de dar mais qualidade de vida à população mais velha.

“Este é um fenómeno novo, não temos exemplos históricos de como lidar com este acentuado envelhecimento nas sociedades. Nos meios mais rurais, é fundamental evitar e reduzir, atempadamente, o risco de solidão e isolamento social”, refere, admitindo que “isso faz-se, por exemplo, com a promoção de um envelhecimento ativo”.

Na opinião de Mónica Costa, “Portugal é cada vez mais um país de idosos, mas devia ser também um país para idosos, dando condições a estas pessoas para terem qualidade de vida”.

FUTURO

Os últimos Censos revelam que Portugal tem cerca de 10 milhões e 400 mil residentes, menos 217 mil que em 2011. As estimativas apontam para que em 2080, a população residente passe de 10,3 milhões para 8,2 milhões.

Neste período, o índice de envelhecimento tende a duplicar, havendo 300 idosos para cada 100 jovens. Quer isto dizer que o número de idosos passará de 2,2 milhões para três milhões.

Tendo em conta tudo isto, Mónica Costa não tem dúvidas de que “é preciso mudar políticas e mentalidades. Acho que, no geral, estamos num bom caminho”.

“A tendência é que Portugal se torne cada vez mais envelhecido. Temos de envolver os idosos na sociedade, dar-lhes condições para terem qualidade de vida, combatendo, como já disse, a solidão e o isolamento social”, conclui.

CENSOS SÉNIOR

Com o aumento da população mais velha, aumenta também o número de idosos a viverem sozinhos ou em isolamento. De forma a identificar essas pessoas, a Guarda Nacional Republicana (GNR) tem vindo a realizar os “Censos Sénior” através dos quais identifica os idosos que vivem sozinhos, ao mesmo tempo que lhes dá alguns conselhos, tendo em conta que se podem tornar ‘vitimas’ fáceis.

Ao todo, na “Operação Censos Sénior” de 2021, foram identificados, a nível nacional, 44 848 idosos a viverem sozinhos ou em situação de vulnerabilidade. Em 2019 eram 41 868.

Olhando mais a fundo, Vila Real é o distrito de Portugal onde foram sinalizados mais idosos, 5 191. Seguem-se a Guarda (5 012), Viseu (3 543), Faro (3 521), Beja (3 411) Bragança (3 343), Évora (2 941) e Santarém (2 099).

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