InícioMontalegrePSD questiona Ministro do Ambiente e da Ação Climática sobre concessão de lítio

PSD questiona Ministro do Ambiente e da Ação Climática sobre concessão de lítio

Os deputados do PSD submeteram um pedido de esclarecimentos à Assembleia da República sobre os fundamentais legais e administrativos que justificam a não rescisão da licença de exploração lítio em Montalegre, na sequência da rejeição do EIA apresentado em razão da alteração do projeto inicial

Os deputados do Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata querem saber porque é que o Governo não rescindiu o contrato de concessão da mina de lítio em Montalegre com a Lusorecursos e questionam a legalidade e credibilidade da nova Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).

Numa pergunta entregue hoje, no Parlamento, e que tem como primeiro subscritor Luís Leite Ramos, os deputados do PSD consideraram que “este novo procedimento levanta dúvidas quanto à sua legalidade e, sobretudo, quanto à sua credibilidade face ao histórico do processo, registando-se inclusivamente troca de acusações entre as instituições envolvidas”.

Os parlamentares lembraram que o ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, acusou, em abril, o “promotor de falta de profissionalismo dadas as insuficiências técnicas do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) apresentado” e salientou, inclusivamente, “que seria muito improvável a concretização do projeto”.

O procedimento de AIA inicial ficou suspenso até 13 de agosto. A APA, numa resposta por escrito enviada na semana passada à agência Lusa, referiu que a Lusorecursos submeteu a 24 de agosto, através da plataforma do Sistema Integrado de Licenciamento do Ambiente, um novo EIA.

Na sequência desta submissão foi questionada a entidade licenciadora do projeto, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), sobre a possibilidade de proceder à instrução do processo de avaliação de impacte ambiental (AIA).

É que a empresa tinha até 4 de setembro para dar cumprimento ao estabelecido, no âmbito do contrato de concessão, celebrado a 28 de março de 2019, a nível ambiental e da viabilidade técnico-económica da exploração.

“Tendo sido recebida essa confirmação no dia 2 de setembro último, procedeu esta Agência à instrução do procedimento” salientou a APA, acrescentando que “o procedimento de AIA encontra-se, neste momento, em fase de verificação da conformidade do EIA”.

Para os deputados do PSD, “está, portanto, em perspetiva a concretização do projeto de mina de lítio em Montalegre, caso seja emitida uma Declaração de Impacte Ambiental favorável e cumpridos outros termos legais e administrativos”.

O PSD referiu que “a credibilidade deste processo está seriamente abalada por estas mudanças de posição sem justificação clara, que a população está contra o projeto e a defesa dos seus interesses não está acautelada”.

“O Ministério do Ambiente e as suas instituições assumiram uma posição de pouca exigência e de facilitismo quando está em causa uma concessão do Estado que deveria vigorar em condições de rigor, exigência técnica e transparência”, salientaram os parlamentares.

Através da Assembleia da República, o PSD perguntou ao ministro Matos Fernandes sobre que “fundamentos legais e administrativos sustentaram a abertura” do novo procedimento de AIA e que “motivos levaram a DGEG a manter como válidos os termos da concessão quando ocorreram mudanças no projeto apresentado pelo promotor”.

Os deputados querem ainda saber “por que razão não se rescindiu o contrato de concessão e se reiniciou o procedimento, permitindo uma consulta pública dos seus novos termos”.

“Tendo o ministro do Ambiente manifestado fortes dúvidas quanto à credibilidade e profissionalismo do promotor, não seria mais cauteloso rescindir o contrato de concessão, inclusivamente na defesa no interesse das populações locais e numa lógica de transparência”, perguntaram ainda, querendo também saber que “medidas serão tomadas para trazer maior transparência e escrutínio a estas decisões”.


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