Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Sobre os números da DGS

Por estes dias, muitos amigos meus têm tido um trabalho hercúleo a detetar os erros dos boletins diários da DGS. O problema é que são estes dados que aparecem nas fontes internacionais também. Há aqui um problema típico de monopólio informativo. Tens uma única fonte, temos o direito de duvidar dela, mas não tens alternativa […]

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Por estes dias, muitos amigos meus têm tido um trabalho hercúleo a detetar os erros dos boletins diários da DGS. O problema é que são estes dados que aparecem nas fontes internacionais também. Há aqui um problema típico de monopólio informativo. Tens uma única fonte, temos o direito de duvidar dela, mas não tens alternativa – a não ser o esforço dos órgãos de informação local agregados. Olhando em grande escala, pergunto se a diversidade de agências informadoras – por exemplo na Itália é a Proteção Civil e não a respetiva DGS, etc.- não levará a especulações (e comparações) perigosas. Os números estão subavaliados ou sobreavaliados? Como está a ser a evolução dos óbitos (as funerárias têm hoje mais trabalho do que na mesma semana de há um ano)? São todas estas questões que se somam às diversas observações pertinentes. Por outra via, penso cada vez mais nestes números como num jogo sem o VAR – nós vimos que era penálti, mas o árbitro não marcou…. Volto a reiterar que a dureza do confronto está nos doentes, nos médicos, nos hospitais, nos lares, nas instituições. Mas a gravidade é maior se a informação – que tendo fidedignidade seria um instrumento de perceção do alarme ou dos ganhos pelo sacrifício – se torna uma informação tão criticamente gerida. Alguém tem de responder urgentemente quando autarcas e jornalistas da imprensa local detetam erros que vão dos 40% aos 83% só para referir uma amostra com notícias de 25 municípios espalhados pelo país nos dois dias (entre 25 e 26 de março) … Alguém não sabe contar? 

Existe depois toda uma ‘guerra de números’, ‘paixões por este ou aquele indicador’ e críticas veladas entre uns que pedem muitos mais testes, outros que suplicam por números da qualidade de assistência médica ou da eficácia da recuperação dos doentes em cuidados intensivos. A presença de toda uma bateria de analistas em casa, diante do computador, faz com que o número de epidemiologistas, estatísticos – e estatistas, econometristas, e astrólogos tenha crescido com o ritmo da exponencial que uns querem ver na subida dos casos e outros dizem que já ficou para trás. Compreendo uns e outros – aliás, na falta de tabelas classificativas dos campeonatos profissionais – precisamos de destilar a nossa atenção argumentativa nestas discussões online.

O importante será sempre as vidas que ganhámos, as mortes que evitámos, a luta que todos – como povo português – soubemos travar na nossa longa história de cercos, de paciência e de esperança. #fiqueemcasa 

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