Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Tanta mentira para tão pouca verdade

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Este ato eleitoral constituiu uma soberana ocasião para reduzir os políticos profissionais à sua dimensão terrena. De quatro em quatro anos, ou de cinco em cinco, como foi o caso deste último dia 24, o país assistiu a uma sonolência coletiva. O país vive quase anestesiado, vigiado por todos os lados, aturdido pelas televisões e telemóveis que alegram as crianças, mas assustam os adultos pela incerteza do dia seguinte.

Só os corruptos e os fora-da-lei gostam desta sonolência, porque os prazos avançam a seu favor, as cadeias estão a abarrotar, os hospitais cheios como ovos e os técnicos de saúde que aguentem todas as arbitrariedades, todos os atropelos, todas as aldrabices que os políticos invocam sem que tenham a coragem de assumir.

Depois do 24 de janeiro último, Portugal deixou cair a máscara. E essa máscara caiu de podre. Mais parece um sinal extraterrestre, para não dizer quase divino, porque Deus não se mete em mexericos.

A campanha eleitoral foi um desastre: seis contra um. Uma vergonha! Esse um valeu por todos. A chamada esquerda e extrema esquerda, levou um banho de «quarentena». A voz do povo que, por tradição, se diz «ser a voz de deus» varreu essa estardalhada comicieira que tivemos de «gramar» nas televisões, nas rádios e redes sociais. A contrabandista e a senhora da Ladeira deixaram cair o verniz.

Os três mosqueteiros, coitados, levaram a cruz ao calvário com pólvora seca. Todos bem comportadinhos, deram o litro em nome de ideais fantasmagóricos.

O aventurado guerrilheiro da tauromaquia moderna passeou-se na arena. Protagonizou todas as piruetas tauromáquicas. E deixou bem claro: venceu a extrema esquerda, a esquerda tradicional e alguns socialistas desalinhados. Preveniu a esquerda democrática e o centro da direita convencional de que nos próximos combates o seu partido tem uma palavra a ouvir-se.

Fui dos primeiros jornalistas a discordar da proteção que Marcelo deu a António Costa. Cheguei a prometer a mim mesmo que não voltaria a dar-lhe o meu voto. Cinco anos depois quebrei a minha jura, perante o vazio, os insultos e o oportunismo da embaixadora que andou aos ziguezagues ideológicos para tanta incoerência intelectual.

Passada esta pasmaceira que a pandemia mais endureceu, assinalo os 68 anos de iniciação ao jornalismo neste mesmo semanário, pela mão do ex-pároco da Sé Henrique Maria dos Santos. Foi em 24 de janeiro de 1953.

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