Domingo, 22 de Maio de 2022
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Temos de reconstruir o futuro

Ao longo dos tempos fui semeando ilusões a mim próprio de que o mundo era perfeito pela tolerância do ser humano…enganei-me.

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Hoje, há a curiosidade em saber como vamos reagir às crises infligidas pela pandemia, pelas guerras, pelas secas, pelas mentes torpes do ser humano. Viver é uma aventura que vamos construindo um pouco às cegas. É importante vivermos na convicção de que problemas fundamentais não deixem de ser resolvidos, ainda que envolvidos em medos e contradições… é igualmente importante a solidariedade como valor essencial de vida, desígnio íntimo que deve mover as pessoas deste planeta em declínio de valores. Solidariedade, tantas vezes reclamada mas que acaba por ficar em fraca tradução no comportamento diário, onde os egoísmos prevalecem como carraça espetada em cão abandonado.

Porquê tanto egoísmo? “Ah! Se conhecêssemos o último porquê das coisas, até das estrelas teríamos pena,” escreveu, Granhan Greene.”

Face às situações de medo em que vivemos, preparemo-nos para sacrifícios que deviam ser evitados se a conduta humana fosse racional e solidária com aqueles que sofrem, morrendo tantos pela indiferença gananciosa dos “senhores” do mundo.

Depois da pandemia, nada será como dantes, porque as folhas do calendário murcham velozmente e cada um terá de saber encontrar fora do reino da banalidade e da estupidez as respostas mais adequadas e consistentes.

As inquietações comuns são já percetíveis e o desânimo invade muita gente, sobretudo os mais velhos que sentem perder a âncora da vida e o leme de um barco que parece andar à deriva.

Se há sonhos que comandam a vida, há palavras que sendo como bofetadas não podem deixar de estar escritas… os pesadelos em que temos vivido relembram a necessidade de sonhar mais e melhor com coisas saudáveis de uma realidade mais promissora.

Os sinos já tocam a rebate, só falta que todos compareçam. Temos de sair destas crises, reconstruindo a esperança para que não voltem a tropeçar nas pedras lascadas dos maus caminhos.

Sabemos que todas as crises têm em si mesmas a possibilidade de potenciarem mudanças positivas. É velha e certa a noção de que o futuro de qualquer país reside na qualidade do que se oferece aos mais novos. São eles uma das forças de crescimento, o motor das transformações das sociedades.

Vale a pena aumentar a capacidade de compreendermos os nossos afetos, as nossas emoções, para assim conseguirmos ler melhor o que se passa com os outros, mas sobretudo sabermos o que verdadeiramente as crianças precisam de nós para serem felizes. O mundo precisa de respirar. E nós precisamos dele limpo para que os sonhos sejam pequenas âncoras da nossa felicidade e assim comandarem as nossas vidas. O mundo precisa de uma cara nova e lavada onde as pessoas vivam e cresçam na liberdade do amor e respeito pelo seu semelhante.

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