Permitam os leitores desta minha já habitual crónica que, hoje, do Alto da Serra que a mitologia, vários poetas e escritores mantêm viva no nosso imaginário – o Marânus/Marão -, me debruce um pouco sobre alguns momentos do meu percurso no Poder Local democrático, mais uma conquista do 25 de Abril.
Efetivamente, foram muitos anos de poder local, também no executivo municipal, como Vereador da oposição, mas muitos mais na Assembleia Municipal e na Assembleia de Freguesia. É por isso reconfortante poder olhar para trás e recordar o contributo individual, mas consciente de que fazia parte de um coletivo e que o que resultasse, afinal, seria sempre benéfico para toda a comunidade. Como se constata, foram, sobretudo, mandatos em órgãos não executivos. E a presidência de Câmara nunca foi cenário que se me tivesse colocado com realismo. Foi uma clara opção minha. Recordo o primeiro mandato nos distantes anos de 1980-1982 – eram mandatos de três anos – na Assembleia de Freguesia da minha terra. No dia da instalação – ainda se fazia com a ajuda do pessoal da Câmara Municipal – o primeiro da lista contrária não escondia o seu nervosismo receando que alguém tentasse um volte face na eleição dos membros do executivo, ou na presidência da Assembleia de Freguesia. Mas tudo se clarificou com o respeito pelos resultados eleitorais, sem cuidar que relações familiares se sobrepusessem. Era um tempo, recordo, em que a disponibilidade das pessoas era total. Era a vontade de contribuir para o bem-estar das gentes do nosso sítio, da nossa “civitas”. Mais tarde, pude experienciar a presidência da Assembleia Municipal, com uma maioria relativa. O diálogo com a oposição permitiu um bom entendimento e um mandato absolutamente normal.
E quando se analisam as atribuições de uma Assembleia de Freguesia e se encontra «a promoção e salvaguarda dos interesses próprios das respetivas populações, em articulação com o município” ou as do Município – “promoção e salvaguarda dos interesses próprios das respetivas populações, em articulação com as freguesias” logo se constata o apelo ao diálogo e ao compromisso. Tão simples, dir-se-á. Ou, porventura, tão complexo. Mas é um esforço a perseguir, porque as populações o merecem.



