Terça-feira, 30 de Maio de 2023
No menu items!
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Um Orçamento do Estado prudente e de confiança

Foi interessante acompanhar os comentários e as análises que se seguiram à apresentação do Orçamento do Estado (OE) para 2023.

-PUB-

Na verdade, sempre que os intervenientes eram especialistas nos domínios da Economia ou Finanças, como o caso de professores universitários, ou de jornalistas dessas áreas, as afirmações produzidas apontavam no sentido que o título deste Visto, de certo modo, sintetiza. A situação que se vive hoje a nível mundial, que não só europeu, obriga a olhar para a instabilidade e um elevado grau de imprevisibilidade. É correto não esquecer que estamos a sair de uma pandemia, e já lá vão mais de dois anos e meio, e que a insensatez, a ambição e despotismo do Presidente da Rússia nos colocaram numa situação de guerra, cujas consequências nos atingem de forma clara, mesmo que não a vivamos diretamente.

A inflação é uma das expressões dessas consequências.

Pois o OE mostra-se prudente ao não ver só o momento presente, mas mais além para que a geração dos mais novos possa olhar com confiança para o seu amanhã. Todavia, a prudência que o caracteriza não impede que nele se encontre, de forma bem visível, o apoio ao rendimento das famílias, um grande apoio ao investimento, público e privado, bem como a manutenção de uma estratégia que dê confiança aos mercados financeiros para que não aconteça por cá o que o liberalismo inglês provocou recentemente naquele país. Mesmo que prudente ousa melhorar o rendimento dos que menos ganham, propondo, entre outras medidas, o corte no 2º escalão do IRS e atualizando os restantes escalões; mantém o custo dos passes sociais – não esquecer quão importante isso é para os que usam muito os transportes públicos; o abono de família é aumentado, quer por efeito de medidas diretas, quer pelo facto de se alterar o instrumento financeiro em relação ao qual de definem vários apoios sociais que, assim, são melhorados, tais como o subsídio de desemprego, o subsídio de doença, o abono de família, o valor das propinas, o subsídio por doença. No apoio às famílias, não é irrelevante a criação de 20 000 lugares gratuitos em creches, perspetivando-se para 2024 a gratuitidade total. Para as empresas dinâmicas e que ousam inovar e criar emprego também o IRC baixa. Com vista a uma maior equidade é criada um imposto sobre os lucros inesperados, para que não seja sempre o mexilhão a sofrer.

Há um setor, todavia, que nele não merece a devida atenção – os reformados. E eles também precisam de tranquilidade face ao futuro.

Mais lidas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.