Quarta-feira, 22 de Julho de 2026
Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Uma petição vergonhosa e provocadora

Circula na internet uma petição intitulada “Declaração do Porto: reparar o irreparável”, que mais não é do que uma tentativa (mais uma) de reescrever a História por parte de um grupo de ativistas onde pontifica o inenarrável, senegalês Mamadou Ba, naturalizado português, que se tem notabilizado por atacar, amiudadas vezes, o nosso passado histórico, com falsidades e deturpações.

A dita petição está elencada em 20 pontos, destaco apenas alguns deles, por falta de espaço para os referir na sua totalidade.

Os peticionários fazem várias exigências ao Estado português como, por exemplo, as seguintes: 2) anulação de todas as dívidas contraídas pelos países ocupados e colonizados por Portugal; 5) desburocratização dos processos de pedido de vistos, livre circulação e garantia dos direitos de cidadania para os imigrantes dos países que foram colonizados por Portugal; 6) criminalização do racismo, com condenação efetiva, para pessoas acusadas e indemnização financeira para as vítimas; 9) descolonização dos manuais escolares; 11) isenção de propinas para alunos provenientes de países e territórios colonizados por Portugal; 13) desmantelamento de estátuas e monumentos racistas; 17) descolonização do hino e de todos os símbolos nacionais que evoquem a exaltação do passado colonial; 18) reconhecimento do cabo-verdiano e do guineense enquanto línguas nacionais, à semelhança do mirandês; etc.

Estas abencerragens ao fazerem este tipo de exigências, na senda, aliás, do movimento Woke que prolifera nos EUA, “restringido os Descobrimentos Portugueses à escravatura”, como muito bem refere a Professora e escritora luso-americana Deana Barroqueiro, fazendo tábua rasa de tudo o resto, demonstram bem a cegueira ideológica e falsificação da história que as anima.

Volta e meia, estas minorias aguerridas insistem em acusar os portugueses de serem os últimos a abolir o tráfico de escravos quando isso não é verdade, como já foi demonstrado pelo historiador João Pedro Marques. Por outro lado, a escravatura não foi inventada pelos portugueses, antes, durante e depois da sua chegada a África já os árabes a praticavam sendo responsáveis por um número substancialmente superior ao atribuído aos portugueses.

-PUB-

Vivemos em democracia, é certo, onde a liberdade de expressão é permitida a toda a gente, mas, com franqueza, há limites para tudo. Se esta gente não for definitivamente contrariada nas suas recorrentes falácias, qualquer dia até Luís de Camões e Os Lusíadas serão banidos dos currículos escolares e de todo o espaço público. Já é tempo de colocar esta gente no devido lugar. Não há pachorra para tantos dislates.

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