Segunda-feira, 23 de Maio de 2022
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Umbíguo e Banda Musical da Cumieira

Na verdade, o Teatro Municipal de Vila Real foi palco de um espetáculo glorioso de entusiasmo e beleza, traduzido num programa pouco habitual, mas que resultou em pleno

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Ideia brilhante foi juntar à Banda Musical da Cumieira o trio vila-realense Umbíguo, com Ricardo Tojal na guitarra portuguesa, Paulo de Almeida em viola baixo e Vítor Hugo Pereira na guitarra clássica. Os três elementos foram simplesmente geniais de técnica e presença, de força e espírito…

Valter Palma, conceituado maestro, fez os arranjos, cujos temas assentaram que nem uma luva ao desempenho da Banda que, com argúcia deslumbrante e desempenho escultural, conferiu ao conjunto uma prestação inapagável que certamente irá ficar na memória de todos os que estiveram no Teatro da nossa cidade.

O Maestro Alexandre Fraguito esteve no seu maior nível artístico o que já não surpreende ninguém. Seguro, meticuloso, assertivo e confiante… a versatilidade da sua direção transmitiu emocionalidade e energia ao mesmo tempo, espécie de corrente elétrica que nunca se extinguiu. Assim, a Banda Musical da Cumieira tocou na perfeição com entrega e excelência.

Durante o espetáculo, houve encenação, fantasia, cenas hilariantes, verve humorística, que criaram momentos de doces sorrisos de felicidade… um trabalho global bem engendrado, pois hoje, mais do que nunca, é preciso descomprimir as sensações menos abonatórias da alma para que sessões como esta tenham lugar.

Esta foi uma iniciativa feliz de imaginação criativa, irradiada no prazer de fazer música que esperemos venha a ganhar raízes… lufadas de estímulo de ordem estética, são o lado contagiante porque as sociedades se devem reger.

De facto, ouvimos música tão desopilante como espiritual, tão comovente como divertida o que nos sacudiu, misturando erudição com divertimento em versões saborosas, próprias de orquestra… e o público saiu feliz em empatia e sintonizado com o que acabara de ver e ouvir…

Sim, impressionou a qualidade de todos os músicos artistas que revelaram surpreendente talento e musicalidade. Jovens promissores, com verve artística. Eles serão certamente o futuro das nossas orquestras, porque o trabalho da sua formação é envolvente, modelar e apaixonante…

Esta coisa maravilhosa e que tão facilmente nos pode tocar, que é gostar de música, está hoje muito acessível: basta ouvir as nossas bandas filarmónicas. Elas são um filão das nossas escolas de formação musical. E a música é, sem dúvida, uma experiência intelectual e humana e quanto melhor a compreendermos, maior será o nosso desfrute na capacidade de admirá-la e compreendê-la…

Justo aplauso para Cumieira. Parabéns Cumieira.

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