Desde há uma meia dúzia de anos, por esta altura, tinha o gosto de colaborar com a Escola das Árvores numa “aula” em que o tema era o 25 de Abril de 1974. Fazia-me lembrar a minha profissão, os anos em que me senti, verdadeiramente, a exercer uma profissão. Sim, porque outros houve em que desempenhava uma função – estava como – de serviço público. De Vila Nova de Foz-Côa a Vila Real!… E conversávamos sobre a data, o seu significado, com a ajuda de umas imagens, em slides ou em pequenos vídeos, alguns com canções. Eram os alunos do 4º ano e a atividade decorria na biblioteca, normalmente, com o agrado de todos – alunos, professores e o meu, também. No abril de 2020 e neste, a COVID-19 não nos permitiu conversar a propósito desta data que desejamos não seja esquecida. Nem pelos que a viveram, nem pelos mais novos que já são filhos dos filhos de Abril.
Numa dessas aulas, o tema central foi “25 de Abril e cidadania”. Começávamos com um artigo da Constituição da República, explicava-se o significado de Constituição e a conversa surgia à volta de um slide que projetava o artigo 12º – “Todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição”. A publicação em que nos apoiámos para que aquela hora não se tornasse tão maçuda realçava que, com o 25 de Abril “começou a construção de um Portugal novo, livre e democrático”. E um pouco mais à frente destacava: “a Constituição garante os direitos económicos, jurídicos e sociais dos cidadãos”. Universalidade e igualdade de direitos e de deveres. Dava, assim, expressão à Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 que o regime do Estado Novo, que vigorou até 1974, não respeitava. Nem em termos de liberdades, direitos e garantias pessoais, nem de liberdade de expressão, de associação, entre outros. Verdadeiramente, nem todos os portugueses eram verdadeiramente cidadãos.
Num ano em que se torna difícil repetir uma atividade desta natureza ocorreu-me destacá-la neste meu Visto a propósito deste mesmo ano em que vivemos condicionados em alguns dos nossos direitos de cidadania. Conscientes – nem todos, é verdade, mas muitos, sem qualquer dúvida -, que os diretos de cada cidadão se devem conciliar com os dos outros. Porque todos cidadãos. Daí, a renúncia a algumas expressões de liberdade que a normalidade da vida nos permite para que todos possamos beneficiar de um outro bem, o da saúde. O que valorizamos muito.

