Quarta-feira, 22 de Julho de 2026
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Automóvel elétrico – será a melhor solução?

Hoje vou fazer uma reflexão sobre o automóvel elétrico.

Trata-se de um tema que está na moda e é, muitas vezes, apresentado como uma solução mágica para a resolução de todos os problemas relacionados com a qualidade do ar que respiramos.

Qualquer governante e político que se preze diz aos seus concidadãos que este carro é não poluente. Mas isto não é totalmente verdade por uma razão: sendo elétrico, consome energia elétrica o que, só por si, já o não isenta de poluir. Se se disser que é menos poluente do que os tradicionais que trabalham a gasóleo ou gasolina, até se pode aceitar. Mesmo nesta comparação, se ganhar, não é tão claramente como muitas pessoas pensam.

Em 2020, segundo a ACAP-Associação Automóvel de Portugal havia cerca de 5.200.000 automóveis ligeiros de passageiros. A Comunidade Europeia diz que em 2035 só podem circular carros com motor elétrico. Se em Portugal for o mesmo, nem quero pensar no que vai acontecer. Para lá da energia elétrica que é necessária para as nossas necessidades, vamos ter que produzir mais, para carregar as baterias de todos estes carros. E onde a vamos arranjar? Às centrais elétricas, certamente. Aí temos, como atualmente, o mesmo problema, ou seja, eleger entre centrais hidroelétricas, centrais eólicas e centrais fotovoltaicas. As duas últimas têm um problema que é serem periódicas e aleatórias, ou seja, nem sempre há vento e de noite não há sol. Nos momentos em que estas centrais não produzem, as hidroelétricas são as que podem responder com maior eficácia e rapidez. No entanto, já não podemos ter grande confiança nelas. Veja-se o ano de 2022. As albufeiras estiveram até há poucos dias com pouca água e o caudal dos rios esteve sempre muito baixo o que impediu que produzissem a energia elétrica que era costume produzir, em anos normais. Face ao exposto qualquer pessoa concluirá que podemos estar a criar um grande problema ao incentivarmos tanto o carro elétrico e a esquecermo-nos o que isso pode acarretar, que não será de fácil resolução. Será melhor começar a comparar o grau de poluição que cada automóvel tem e não dizer que o elétrico não é poluente. É um dado adquirido que é necessário produzir mais eletricidade, que não vai ser fácil se tivermos em conta as incoerências do ser humano pois muitos governantes colocam de lado as centrais nucleares e as centrais térmicas.

Quantos mais carros elétricos circularem, mais baterias é necessário fazer o que implica que seja necessário mais lítio, que ninguém quer que seja extraído do solo. Também no final da vida útil de cada uma delas é necessário destruí-las, mas isso implica grandes custos e problemas de poluição significativos. Outro problema será a criação de pontos de carregamento da bateria. Aqui penso que, com o tempo, poderá haver um método de carregamento rápido que minore o problema do tempo gasto nessa operação. Neste momento isso ainda não está garantido.

-PUB-

Termino deixando esta pergunta: se houver uma crise energética que implique o racionamento do consumo de energia a todos os setores da sociedade portuguesa, famílias, setor público, setor privado e ao setor automóvel, como vai ser?

ARTIGOS do mesmo autor

NOTÍCIAS QUE PODEM SER DO SEU INTERESSE

ARTIGOS DE OPINIÃO + LIDOS

Notícias Mais lidas