Terça-feira, 7 de Dezembro de 2021
Levi Leandro
Engenheiro. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Barro Preto de Bisalhães. Salvaguardar urge, para anular o negócio da Contrafação

No fim de semana de 12 a 15 de outubro, a CMVR ,liderada pelo edil nº1, foi ao Dubai promover a louça preta de Bisalhães.

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É um facto que o nome de Vila Real e Bisalhães, devido à sua louça preta com cerca de cinco séculos, foi divulgado e propalado pelo mundo fora. Contudo, constatou-se que na variada comitiva, não estava nenhum oleiro de Bisalhães e a grande ameaça que a louça preta de Bisalhães enfrenta é o incumprimento do Plano de Salvaguarda. Foram cinco anos sem nenhuma ação de formação que culminaram na quase validação da contrafação. A quem interessa a proliferação deste negócio?

Em 19/10, a comissão da Cultura da Assembleia da República ouviu, via online, a Associação Promotora do Barro Preto de Bisalhães (APBPB), em que o seu presidente, de forma cordial, mostrou as suas preocupações com a estratégia que a autarquia tem, ou a falta dela, em relação à salvaguarda da louça preta de Bisalhães. Estiveram presentes vários deputados, incluindo Francisco Rocha, do PS, simultaneamente presidente da Junta de Freguesia de Vila Real. Após a exposição assertiva por parte da APBPB, todos os deputados intervieram, com civilidade, questionando aqui e ali “o processo de Bisalhães”, à exceção do deputado do PS, que centrou a sua intervenção relembrando a maledicência…, esquecendo-se da vergonhosa reunião da AM de 26/02/21, onde o PS de Vila Real, com ele presente, tentou “executar” ao modo de Tomás de Torquemada, o presidente da APBPB, demonstrando uma ignorância inqualificável, quando afirmou que “a louça preta de Bisalhães só partindo é que se vê se é contrafeita ou verdadeira”. A ignorância demonstrada só pode ser comentada com a irónica frase à época, de Almeida Garrett, “foge cão que te fazem Barão, para onde, se me fazem Visconde”.

No dia 4/11, a APBPB foi recebida no Palácio da Ajuda pela subdiretora do Património Cultural, pelo adjunto da senhora secretária de Estado do Património Cultural e pelo adjunto da senhora Ministra da Cultura (MC). Desta reunião, além da cordialidade com que decorreu, constatamos a dualidade de critérios do MC quando afirmaram nada poderem fazer quanto à contrafação de um bem, que é Património Imaterial da Humanidade, sublime este pacto com os contrafatores, no entanto, o mesmo MC negociou com a estilista norte-americana que contrafez a “Camisola Poveira”, que é um traje tradicional da Póvoa de Varzim. Muitos pesos e muitas medidas…

Finalmente, não posso deixar de realçar a situação caricata que foi a manifestação de total desconhecimento, por parte do adjunto da senhora ministra quanto à candidatura de Vila Real a capital europeia da cultura. O que era do conhecimento de todos os presentes, era o nome da empresa a quem a autarquia por ajuste direto vai pagar cerca de 380Mil € para tratar da promoção da candidatura. Outras câmaras promoveram os seus concelhos a capital europeia da cultura por valores que em média rondam os 25 mil euros.

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