Domingo, 19 de Setembro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Com papas e bolos se enganam os tolos

Pelos vistos o Alto Tâmega está definitivamente condenado ao desaparecimento do mapa

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Pelos vistos o Alto Tâmega está definitivamente condenado ao desaparecimento do mapa. Os sucessivos governantes apenas querem votos. E, para isso, todos procuram votos, em todos os atos eleitorais. Por cada mais uma eleição, mais promessas para inglês ver.
Na anterior legislatura andou por aí um tal Pedro Marques que fechou portas e torneiras como se fosse de férias para a Europa. Tão pouco por lá fez que nunca mais nele se ouviu falar. Não deixou saudades.

Trás-os-Montes vai com uma década sem qualquer infraestrutura que mereça esse nome. A EN 103 que liga Esposende a Bragança, que foi feita no tempo de Salazar. Quase há um século liga Braga a: Montalegre, Boticas e Chaves, deixando para trás Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Valpaços encravadas entre serras, com curvas ridículas e piso vergonhoso. É o cancro mais indigesto que o retângulo à beira-mar plantado suporta há mais de um século.

O ruidoso Pedro Nuno Santos, com aquele seu ar galante da extrema esquerda, como se fosse o dono disto tudo, acordou há dias, numa campanha orquestrada, mais a sua camarilha, a anunciar o Plano Ferroviário Nacional, para que o comboio chegue a todas as capitais de distrito do país e às cidades com mais de 20 mil habitantes. Se o PowerPoint, com que iludiu os incautos, pudesse estender-se como um plástico, nas hortas de morangos, cebolas ou rabanetes, não faltaria quem acreditasse. Mas quem lhe conhecesse as manhas, as obras e os sonhos, não acredita, porque a teoria sem prática é um carro sem eixo, como reza o ditado. Li na imprensa regional que a deputada Cláudia Bento criticou duramente o governo por deixar o Alto Tâmega de fora do Plano Ferroviário Nacional. Este governante ignora, certamente, a sofreguidão do seu kamarada Rosado Correia, quando, nas mesmas funções de ministros das obras públicas, do governo de Mário Soares, destruiu as linhas estreitas da Régua a Chaves, de Fafe a Guimarães e outras que não cabe aqui citar, como é o ramal que chegava a Arco de Baúlhe. Onde irá buscar o dinheiro para renegociar e reconstruir os pedaços de via férrea que permitam reverter os comboios até Cabeceiras de Basto, até Fafe, até Chaves e até Bragança.

Fiado nesta megalomania o «presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes, Artur Nunes, mostrou-se convicto de que dentro de seis meses este território terá uma nova rede de transportes públicos, que se encontra em concurso publico para concessão».

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