Sábado, 11 de Julho de 2026

Corridas aceleram economia local e enchem hotéis e restaurantes

Hotéis cheios, restaurantes com expectativas elevadas e milhares de visitantes esperados. O Circuito Internacional de Vila Real volta a traduzir-se num impulso significativo para a economia local, com a hotelaria e a restauração a registarem um aumento da procura

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A poucos dias do arranque de mais uma edição do Circuito Internacional de Vila Real, a hotelaria e a restauração preparam-se para receber milhares de visitantes. Equipas de competição, elementos das estruturas de apoio, adeptos do automobilismo e turistas nacionais e estrangeiros contribuem para um aumento significativo da procura, com hotéis lotados e restaurantes com expectativas elevadas.

No Borralha Hotel, a capacidade para o fim de semana das corridas já foi atingida. Segundo Fábio Sousa, rececionista da unidade hoteleira, as reservas começam a ser feitas com vários meses de antecedência.

“As reservas começam a ser feitas por volta de abril e maio” e, nesta altura, “a ocupação está mesmo no máximo”, afirma.

Grande parte dos hóspedes está diretamente ligada ao evento. “A maior parte dos nossos hóspedes são as equipas que vão participar nascorridas”, explica o responsável, referindo-se a pilotos, técnicos e restantes elementos envolvidos na competição.

Além da elevada taxa de ocupação, o hotel regista também uma forte presença de visitantes estrangeiros. “As corridas atraem mais estrangeiros do que locais”, sublinha Fábio Sousa, revelando que muitos dos hóspedes optam por prolongar a estadia, chegando à cidade alguns dias antes das provas e indo embora depois do encerramento do evento.

Embora represente apenas um fim de semana no calendário anual, o impacto económico é evidente. “É um fim de semana bastante positivo para nós, um fim de semana bastante lucrativo”, reconhece.

RESTAURAÇÃO

Na restauração o cenário é semelhante. A Taskrina, situada junto ao antigo Sinaleiro, numa das zonas emblemáticas do circuito urbano, nasceu precisamente associada às corridas. O restaurante abriu portas há um ano, na semana anterior ao evento, numa aposta assumida pelos proprietários para aproveitar a dinâmica gerada pela competição.

“Nós somos filhos das corridas”, resume Edgar Botelho.

Vila Real Hotel Borralha Fábio Sousa (5)“As corridas atraem mais estrangeiros do que portugueses”
FÁBIO SOUSA
BORRALHA HOTEL
 

A aposta revelou-se acertada, tendo em conta que a semana das corridas foi a melhor em termos de faturação durante o primeiro ano de atividade do espaço. Para esta edição, as expectativas são ainda mais elevadas.

“Já afinámos a máquina”, afirma o chef Mário, destacando a experiência adquirida desde a abertura. “Evoluímos em algumas coisas, melhorámos noutras e criámos também algumas novidades”, acrescenta.

A localização privilegiada da Taskrina, numa zona de passagem de milhares de pessoas durante os dias do circuito, contribui para a afluência de clientes. Além dos visitantes nacionais, o restaurante tem vindo a receber cada vez mais turistas estrangeiros, muitos deles recomendados por outros clientes através das redes sociais.

“Os nossos primeiros clientes foram de quatro nacionalidades diferentes”, recorda Edgar Botelho. Atualmente, espanhóis, franceses, italianos e visitantes de outros países fazem parte do público habitual durante os períodos de maior movimento.

A aposta da casa passa pela gastronomia tradicional portuguesa, valorizando receitas regionais e produtos locais. Favas com entrecosto, ervilhas com ovos escalfados, moelas, dobrada com grão, salada de orelha ou pezinhos de coentrada são algumas das especialidades que despertam a curiosidade de quem procura experiências gastronómicas autênticas.

A utilização do barro preto de Bisalhães, presente em praticamente todo o serviço do restaurante, reforça também a ligação ao património cultural da região.

André Santos Restaurante Convívio (4)“Os dias antes e depois do circuito acabam por ter mais movimento do que nos próprios dias”
ANDRÉ SANTOS
RESTAURANTE CONVÍVIO
 

Para os responsáveis da Taskrina, as corridas representam uma oportunidade para mostrar não apenas a gastronomia local, mas também a identidade de Vila Real a visitantes vindos de vários pontos do país e do estrangeiro.

Se para alguns restaurantes a localização junto ao circuito se traduz numa maior afluência de visitantes, para outros o impacto das corridas faz-se sentir de forma diferente. É o caso do Restaurante Convívio, onde os condicionamentos de trânsito acabam por dificultar o acesso de parte da clientela habitual.

“Não estamos numa zona de fácil acesso e, com os condicionamentos do trânsito, não temos tanta afluência dos nossos clientes habituais”, explica André Santos, responsável pelo espaço. O empresário refere que muitos dos que procuram o restaurante durante o fim de semana das corridas são clientes habituais, uma vez que a zona não se encontra nos percursos mais movimentados pelos visitantes.

Ainda assim, o restaurante beneficia da dinâmica gerada pelo evento através do trabalho desenvolvido com equipas e empresas ligadas à competição. Ao longo dos anos, o Convívio tem vindo a reforçar a sua ligação ao Circuito Internacional de Vila Real através da prestação de serviços de catering. “Já fazemos esse trabalho há alguns anos”, revela André Santos, acrescentando que, atualmente, o restaurante apoia várias estruturas instaladas no paddock. “Apanhamos algumas equipas, desde nacionais a internacionais, o pessoal da televisão e o pessoal das montagens”, refere.

Taskrina (2)

Segundo André Santos, o impacto económico das corridas faz-se sentir, sobretudo, fora dos dias das provas. “Os dias antes e depois acabam por ter mais movimento do que se calhar os próprios dias das corridas”, afirma, explicando que a chegada antecipada das equipas responsáveis pela montagem das infraestruturas e a sua permanência após o evento contribuem para aumentar a procura pelos serviços do restaurante.

Apesar do acréscimo de atividade nesta altura do ano, o responsável garante que não será necessário reforçar a equipa. “É uma altura mais calma, porque os emigrantes ainda não chegaram e o turismo também ainda não está no seu auge”, conclui.

Com hotéis esgotados, restaurantes preparados para um aumento da procura e milhares de visitantes esperados, o Circuito Internacional de Vila Real continua a afirmar-se como um dos principais motores económicos da cidade, gerando benefícios que vão muito além da competição automóvel e contribuindo para a promoção turística e comercial de toda a região.

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