No dia 1 de Abril de 1906 fez precisamente 100 anos que Vila Real teve pela primeira vez, com o alvoroço que se adivinha, o apito de uma locomotiva.
Era uma sensação nova para os vila-realenses.
Claro que, com o passar dos anos, o som tornou-se muito rotineiro, entrando, de uma vez por todas, no quotidiano “vila-realense” e nele ganhou lugar cativo.
Agora em 2019, 10 anos depois do encerramento da linha do corgo em toda a sua extensão, ficou demonstrado a todo o distrito de Vila Real a sua total necessidade no contexto de desenvolvimento de que ela está impregnada.
As vilas de Vila Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas e Vidago e a cidade de Chaves são o testemunho que é urgente repor-se novamente o comboio na linha do corgo.
Para além disso, se for feito um estudo socioeconómico da linha do Corgo, chega-se à conclusão que é fundamental a todo o distrito.
Com o aparecimento feliz das autoestradas no Norte do país, pensaram alguns intelectuais que estas iriam resolver o problema da mobilidade daqueles que gostam de conhecer o Interior, mas esqueceram-se das pessoas que ainda vivem nas aldeias. Estes seres humanos que cada vez são menos, apoiavam-se no comboio que passava às suas portas para poderem se deslocar à “Bila” ou a outros lugares, lutando contra o isolamento e a desertificação, que continua a acontecer e a aumentar.
Alguns jornais regionais vêm lutando pela reposição da linha férrea de via reduzida. Por enquanto, ainda nada de concreto aconteceu. Só existem ideias e intenções de alguns de boa vontade, de promessas políticas na véspera de eleições. Só que, depois, por isto ou por aquilo, a situação descrita da Linha férrea continua na mesma o que é uma pena.
A região de Trás-os-Montes necessita de mais bairrismo e menos política, aceitando esta, se for no sentido do “seu desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida”
Aguardemos com esperança nalguns transmontanos que gostam da região e que a defendem sem temor.
Pois para cá do Marão “mandam os que cá estão, e para lá mandam os que de cá são”, mas alguns que fazem a vida por Lisboa, esquecem-se das suas origens. É pena e lamentável.





