Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

De quando em vez… Quais as razões para o fecho das linhas férreas do Tâmega, Corgo, Tua e Sabor

Quem está minimamente informado com o que se passa na região de Trás-os-Montes tira rapidamente as seguintes conclusões relativamente à mobilidade ferroviária:

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No dia 1 de Abril de 1906 fez precisamente 100 anos que Vila Real teve pela primeira vez, com o alvoroço que se adivinha, o apito de uma locomotiva.

Era uma sensação nova para os vila-realenses.

Claro que, com o passar dos anos, o som tornou-se muito rotineiro, entrando, de uma vez por todas, no quotidiano “vila-realense” e nele ganhou lugar cativo.

Agora em 2019, 10 anos depois do encerramento da linha do corgo em toda a sua extensão, ficou demonstrado a todo o distrito de Vila Real a sua total necessidade no contexto de desenvolvimento de que ela está impregnada.

As vilas de Vila Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas e Vidago e a cidade de Chaves são o testemunho que é urgente repor-se novamente o comboio na linha do corgo.

Para além disso, se for feito um estudo socioeconómico da linha do Corgo, chega-se à conclusão que é fundamental a todo o distrito.

Com o aparecimento feliz das autoestradas no Norte do país, pensaram alguns intelectuais que estas iriam resolver o problema da mobilidade daqueles que gostam de conhecer o Interior, mas esqueceram-se das pessoas que ainda vivem nas aldeias. Estes seres humanos que cada vez são menos, apoiavam-se no comboio que passava às suas portas para poderem se deslocar à “Bila” ou a outros lugares, lutando contra o isolamento e a desertificação, que continua a acontecer e a aumentar.

Alguns jornais regionais vêm lutando pela reposição da linha férrea de via reduzida. Por enquanto, ainda nada de concreto aconteceu. Só existem ideias e intenções de alguns de boa vontade, de promessas políticas na véspera de eleições. Só que, depois, por isto ou por aquilo, a situação descrita da Linha férrea continua na mesma o que é uma pena.

A região de Trás-os-Montes necessita de mais bairrismo e menos política, aceitando esta, se for no sentido do “seu desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida”

Aguardemos com esperança nalguns transmontanos que gostam da região e que a defendem sem temor.

Pois para cá do Marão “mandam os que cá estão, e para lá mandam os que de cá são”, mas alguns que fazem a vida por Lisboa, esquecem-se das suas origens. É pena e lamentável.

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