O farol da esperança está cansado e desacreditado, é incapaz de inspirar e iluminar caminhos, de cimentar e unir as pessoas, de estabelecer equilíbrios e acordos, tornou-se, pelo contrário, permeável à bajulação, ao seguidismo e ao brutalismo, asfixiando e amarfanhando a cidadania ativa e construtiva, em prol de uma espécie de cidadania do silêncio, a qual aceitamos sem refletir, apoiamos sem conhecer e aplaudimos sem contestar.
A sedução por um certo “determinismo tecnológico” é, no momento e para muitos, a grande força transformadora. Afigura-se o lugar onde a mudança é possível, no entanto apesar de incontornável, esta também é responsável por camuflar, enganar e substituir o vazio de ideias pela plastificação de personagens políticas que nunca, mesmo nunca, se atreveriam a exprimir uma ideia sequer no debate público pois, para tal, exige-se mais do que citações ou imagens fotográficas. A aceitação do vazio de ideias impressiona-me e assusta-me, a normalização do silêncio como qualidade do político não pode ser aceitável. Das eleições presidenciais às autárquicas, torna-se obrigatório analisar a “substância” política dos candidatos, avaliar as suas posições sobre diversas matérias que têm impacto nas nossas vidas. A tática do silêncio não é nova, a novidade está em fazer do silêncio a ação política capaz de inspirar e mobilizar as pessoas. Como é possível?!
O arrependimento em política é perigoso e por isso tenho preferência pelos políticos que se assumem, que têm a coragem e a convicção de manifestar os seus valores e princípios, que expõem a sua visão e as suas ideias sem receio do contraditório. Venham daí os candidatos e as suas mensagens, o confronto político necessário para o esclarecimento público, as campanhas criativas e mediáticas e as novas soluções para os problemas das pessoas. Dando seguimento à ideia de Max Webber, no mundo obter-se-á o possível se, uma e outra vez, tentarmos o impossível.





