Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Dois mundos

Referimo-nos naturalmente ao mundo urbano e ao mundo rural em tempos de Pandemia, ainda que, mesmo em circunstâncias normais, um e outro sejam bem diferentes. Apercebemo-nos há dias, quando fomos à aldeia, desde logo, da beleza da natureza, com o maio em todo o seu esplendor, – as “maias” das giestas, no seu amarelo vivo, […]

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Referimo-nos naturalmente ao mundo urbano e ao mundo rural em tempos de Pandemia, ainda que, mesmo em circunstâncias normais, um e outro sejam bem diferentes.

Apercebemo-nos há dias, quando fomos à aldeia, desde logo, da beleza da natureza, com o maio em todo o seu esplendor, – as “maias” das giestas, no seu amarelo vivo, encanta-nos a vista. O verde, nas suas variadíssimas tonalidades, em particular o verde dos lameiros, vistos ao longe, dá-nos uma sensação de vida, que contrasta bem com a ameaça de morte que o ambiente da Saúde Pública, diariamente nos confronta. O chilrear dos pássaros entra-nos pelos ouvidos, sem percebermos o que aquela sinfonia, entre as diversas espécies – cucos, rolas, perdizes e dezenas de outros, significa. É isto a natureza.

O ambiente na aldeia é calmo. A vida desenrola-se ali, sem qualquer novidade, salvo a que nós próprios provocamos. De que forma? Saímos da viatura com as nossas máscaras de proteção, e apercebemo-nos do olhar curioso dos dois ou três circunstantes que nos viram sair. Não que eles não soubessem a razão de ser desta nossa postura. Mas, porque intimamente devem ter pensado: – não havia necessidade de a usarem, porque aqui, não há vírus que chegue.

A vida decorre ali no seu quotidiano. As pessoas no amanho dos campos, nesta altura arroteando os terrenos para as sementeiras da época. Não significa isto que a doença não possa eventualmente aparecer, veiculada por quem morando numa aldeia tradicional, acabe por passar o dia no meio urbano – onde a densidade das pessoas é muito maior e o contacto físico, mais natural e propício ao contágio.

Sãs as duas faces desta moeda do mundo em que vivemos, cujas transformações, sabemo-las todos, não param de acontecer. Há pouco mais de cem anos, a população que vivia em pequenas aldeias, deveria representar, seguramente, muito mais de 50 %. Hoje, o fenómeno do urbanismo, transformou a população rural em quase uma raridade. Porque só não sai dela, praticante quem não pode, dado que é no meio urbano que se encontram, apesar de tudo, as oportunidades de emprego e de ocupação que rareiam neste mundo que descrevemos. 

As novas técnicas de cultivo dos bens alimentares, dispensam cada vez mais gente na agricultura. 

Não significa isto que o mundo rural vá desaparecer, longe disso. Pode muito bem suceder, que as sociedades do futuro, acautelem muito melhor este ambiente, hoje menos atrativo para quem o não conhece.

Pode vir a ser esta, uma das conquistas que o perigo destas pandemias, de facto, comporta. Veremos.

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