Esta notícia chamou a nossa atenção para o tema da mobilidade em Portugal, a partir do momento em que a construção de um novo aeroporto, para servir Lisboa, entrou na ordem do dia. A construção de um novo aeroporto, seja onde for que os estudos que agora começaram a ser feitos o apontem, terá de contar com as Infraestruturas de Portugal – IP, que apresentam uma alternativa válida e competitiva, ao avião, quer em termos de duração de viagem, (1 hora e 15 minutos para o Porto/Lisboa), e um custo de viagem pouco superior ao que agora pratica o Alfa Pendular, (atualmente 44,60 € em primeira classe e 31,90€ em segunda classe).
A IP estima que haverá 16 milhões de passageiros na Alta Velocidade entre Porto e Lisboa, quando a linha estiver concluída, o que se prevê acontecer até 2030. Aos seis milhões de passageiros que hoje viajam entre Lisboa e Porto, pela linha do Norte, poderão juntar-se os cerca de dois milhões que fazem a ligação por avião, o que pressupõe o desaparecimento da ponte aérea entre as duas cidades.
Tendo em atenção a duração da viagem e o seu baixo preço estima-se que também o automóvel e o autocarro, neste troço possam diminuir significativamente.
De referir ainda que nas viagens de avião, não é significativa a duração do voo. Porém, a deslocação para o aeroporto, o check-in, e as demais formalidades, tornam a duração da viagem, possivelmente, superior à duração da Alta Velocidade,
Está prevista também a extensão da Alta Velocidade até Faro, a sul e Galiza a Norte. A viagem para sul tornará viável a utilização da pista de Beja, como muitos advogam, como complementar ao aeroporto de Lisboa. Recordar-se-ão os nossos leitores que em crónica anterior havíamos advogado que se pensasse na pista de Beja, que tem um comprimento incomparavelmente superior à de Lisboa e Porto e está em condições de ser utilizada de imediato. Com a ligação desse Aeroporto à Alta Velocidade, inaugura-se a poupança de investimento para os cofres públicos.
Concluímos dizendo que, se a era dos Governos de Cavaco Silva foram os anos em que o país se viu rasgado por autoestradas de Norte a Sul e de poente para nascente, nada custa admitir que esta década, até 2030, poderá ser a era da Ferrovia à Alta Velocidade, de que o nosso país vizinho, a Espanha, se orgulha de já possuir. Ou seja: há que aproveitar as oportunidades para tornar o país mais competitivo e mais atrativo, até para que os milhões de turistas nos continuem a visitar.




