A Maria Helena que trata os pais acamados é uma heroína. O jovem que resgatou a criança que caiu no metro não quer que lhe chamem herói.
Os tripulantes dos aviões e helicópteros da Força Aérea que alheios às condições meteorológicas adversas, ou em casos de acidentes em terra ou no mar, estão sempre presentes na busca e salvamento dos que deles precisam, a qualquer hora do dia ou da noite. Dizem presente e que não querem que lhes chamem heróis.
Estão a cumprir a sua missão de defesa dos cidadãos, de qualquer nacionalidade ou etnia.
Os heróis não têm que morrer apenas na guerra nem ter patentes militares.
Os heróis andam no meio de nós.
Nos serviços públicos quando vestem a camisola, nos hospitais quando a sua dedicação supera o ordenado. Nas corporações de bombeiros a combaterem a incúria do país muitas vezes até a morte, como é do conhecimento público.
O herói vive a sua vida plenamente.
Cumpre-a no gesto, mesmo que desconheça o seu desfecho. O herói redime o que resta duma humanidade à deriva, que se fez devorar pela imagem na fotografia de perfil.
Alheios ao valor da palavra, esquecidos dos valores fundamentais, cultivamos o desconhecimento, pior, a indiferença. Se o outro cai, que se levante, não damos a mão, ele que se desenvencilhe. Enfim, esquecemos a queda dois passos depois.
Há dias, assisti a um jovem casal que se levantou quando entrou um idoso num autocarro.
Os dois em simultâneo. O idoso recusou o assento. Mas o gesto foi lindo!
E, ali, redescobri a esperança na humanidade.






