As indicações e as linhas orientadoras para a construção de uma Igreja sinodal estão no documento final do sínodo, que foi publicado em outubro de 2024. É fundamental agora o empenho de todos os batizados da Igreja na edificação desta nova cultura eclesial e deste novo modo de ser Igreja no mundo e para o mundo. É preciso colocar este tema no centro da vida das paróquias e das dioceses.
Possivelmente, em muitas paróquias não tem havido esclarecimento, debate e formação, há um grande desconhecimento sobre o assunto, possivelmente até alheamento. Quantos católicos neste momento saberão responder o que é a sinodalidade e o que se pretende com ela? É notório que é um conceito obscuro para muitos cristãos. Até já ouvi que é uma moda para deixar passar, porque tudo vai voltar ao mesmo e ao que sempre foi, acreditam que a velha forma de a Igreja funcionar e estar organizada, de claro pendor clerical, está tão cristalizada e cimentada que vai imperar sempre sobre qualquer transformação eclesial.
É sempre de esperar resistências, medos, dúvidas, desconfianças e maledicências sobre mudanças na Igreja. Nada de novo debaixo do sol. Mas, honestamente, acho que se está a dar um novo rosto e uma nova cultura à Igreja na fidelidade à sua verdadeira identidade e missão, e que depois de todo este processo mau seria que tudo ficasse na mesma. Não vai ficar tudo na mesma e esperamos que nasça com solidez uma outra forma de ser Igreja, na senda dos primórdios da Igreja e dos ditames dos documentos do Concílio Vaticano II.
É preciso prestar atenção a alguns equívocos que já por aí andam. Um deles é que a sinodalidade é levar a democracia para dentro da Igreja. A vontade ou a convicção da maioria vai passar a mandar. Nada de mais errado. A Igreja é de Cristo, conduzida pelo Espírito Santo, a quem devemos ser dóceis e escutar. Não é dos homens. Jamais a Igreja pode ser gerida como uma democracia. Por outro lado, muitos estão a olhar para a sinodalidade como uma porta para finalmente se fazerem mudanças há muito esperadas dentro da Igreja, por exemplo o fim do celibato ou o sacerdócio feminino. Não é essa a finalidade da sinodalidade. Por fim, alguns estão a entender a sinodalidade como o grito de Ipiranga dos leigos. A sinodalidade não é a promoção duma fação eclesial, mas o envolvimento de todos os batizados.



