Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2024
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Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Manuel Lagoa – combatente no Ultramar

Do Ultramar, muitos jovens vieram transtornados e irreconhecíveis. Alguns deixaram lá os ossos e a carne e a vontade de viver

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Chegando à terra, espalhavam as tristes lembranças das catanadas, do capim e botavam-se ao trabalho. Muitos embrenhavam-se mais do que antes de pegarem na famosa G-3 e no cantil da água.

O Manuel Lagoa é esse combatente que apegado às lembranças do passado sofre ainda hoje o horror e o trauma de ver seus companheiros mutilados e mortos em combate.
É de toda a justiça que Manuel Lagoa faça parte desse conjunto de homens que puseram as suas vidas em risco numa guerra que não queriam nem compreendiam.

Manuel Lagoa será eternamente alguém a quem todos nós devemos respeitar. Dentro em breve estaremos todos debaixo dos torrões e já não teremos tempo de homenagear esta singular figura.

Alguns soldados do Ultramar diziam que por lá havia chuva e moscas, poças de água emporcalhada, doenças esquisitas. Tantos morriam de cóleras, febres, parasitas e outras doenças que não lembravam ao diabo.

Outros morriam, ainda matando, morriam de ansiedade e medo. Morriam por falta de sonhos. Outros, mais inspirados versavam poemas dos nossos poetas maiores. Guerra Junqueiro era um dos eleitos…

Manuel Lagoa, gostava de glosar poemas porque o faziam pensar e sonhar, visando a liberdade que um dia havia de chegar… ainda hoje, este simpático cavalheiro aprecia os benefícios da arte e da natureza tendo como fonte de inspiração o seu pai que foi músico empenhado na Banda de Mateus.

Num dia bem cedo, o sol quase despontava e o capim molhado do cacimbo da noite estava aos pés dos militares que desciam estrada abaixo. O Manuel Lagoa também ali ia com a arma pronta para tudo. Ali, tudo era cor e vida. Exuberantes borboletas de lindas cores dançavam no ar fresco da manhã. Por vezes, os capacetes enterrados na cabeça, faziam-lhes soltar soluços gemidos em funda desarmonia e revolta.

Manuel Lagoa tem mil histórias para contar enquanto militar combatente. Fica à espera do reconhecimento público pelo herói que foi, colocando sempre em primeira linha desse tempo o sentido abnegado de patriota com dever militar cumprido.

Agora, o Manuel passa o tempo em cogitações e pensamentos, espalhando sorrisos imbuídos de pura liberdade. É fácil vê-lo caminhar em lugares de luz e silêncio, lugares onde ele encontra paz reconfortante tão necessária à forma como ele vê e sente o mundo.
A guerra continua a ser um lugar, onde jovens matam, não se conhecendo nem odiando, apenas por capricho e ódio dos chefes das nações…

Quem combateu no Ultramar, abomina qualquer tipo de guerra e perante ela, eles revolvem-se em sobressaltos, suspiros e medos.

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