Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Morte de Fernão de Magalhães Viagem de circum-navegação (3)

Como foi morto Fernão de Magalhães? No II Colóquio Luso-espanhol de História Ultramarina, realizado em Lisboa no ano de 1975, o Diretor da Biblioteca Hispânica-Instituto de Cultura Hispânica, José Ibañez Cerdá, fez uma intervenção que intitulou La Muerte de Magallanes, com 20 páginas.

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Neste artigo ele dá-nos conta das várias versões que foram relatadas sobre este tema. Vou referir-me a algumas delas começando pela de Pigafeta, cronista oficial da viagem, retirada do seu livro: “Na sexta-feira, dia 26 de abril de 1521, saímos à meia-noite 60 homens armados. Chegámos a Mactan 3 horas antes do alvorecer. O Capitão mandou a terra um mouro para que dissesse ao chefe Cilapulapi que, se quisesse reconhecer a soberania do Rei de Espanha, obedecer ao Rei Cristão e pagar os tributos que este pedia, seriam considerados amigos. Se não, iriam conhecer a força das nossas lanças. Como não aceitaram, saímos em chalupas, das quais desceram 49 e ficando 11 a cuidar delas. Os ilhéus eram cerca de 1500, formando 3 batalhões. O Capitão foi atingido por uma lança com ponta de ferro. Para os intimidar, mandou queimar as suas casas. Isto enfureceu-os e fez com que aumentassem o ataque. Uma flecha envenenada atravessou a perna do Capitão, ficando diminuído. Um nativo com um sabre atirou-o à água. De seguida ele e outros lançaram-se sobre ele e mataram-no”.

Sebastian de Elcano: o dito Magalhães foi à guerra e queimou as casas da cidade de Mactan, para que o seu Rei beijasse as mãos do Rei de Cebu.
Martin de Judicibus, merino na nau Vitoria disse: Fernão de Magalhães propôs-se convencer por meio de intérpretes o rei de Mactan a submeter-se ao rei de Espanha e ao de Cebu e em pagar tributos. O Rei de Mactan disse que se submeteria ao rei de Espanha, mas não ao de cebu.

Francisco Albo, contramestre da nau Trinidad diz: “a morte de Fernão de Magalhães deveu-se a ele querer que o chefe de Mactan obedecesse ao de Cebú. Disse que presenciou a morte dizendo que baixaram a terra uns 38 ou 39 homens e a maioria dos cristãos regressaram feridos ao enfrentar-se com cerca de 2000 indígenas, sendo-lhe impossível salvar o seu chefe, tendo todos retirado após a sua morte.

Hernando de Bustamante, barbeiro da nau Concepción, acrescentou ao que disse Francisco Albo que “porque os do reino de Mactan queriam obedecer ao Rei de Castela e ele lhes disse que tinham que beijar as mãos ao Rei de Cebú, que eles não queriam fazer.
Há ainda outras versões, o que mostra que relatos deste tipo são muito subjetivos. Cada um vê-os à sua maneira.

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